Artigos

Os que gerem a fome e produzem a guerra

Jorge Messias - Avante! Publicado em 19.09.2013

O que salta à vista é que o neocapitalismo nada tem de novo a não ser o requinte pós-moderno das suas estratégias e das redes das suas intrigas. Quanto ao mais, o novo capitalismo tem por alvo os objectivos que o velho capitalismo sempre visou: a acumulação de capitais e lucros; a conquista dos poderes do Estado; o alargamento contínuo dos mercados e a destruição da pequena concorrência.

«A partir de meados do século XX avançou a chamada 'revolução verde'… O outrora agricultor livre tornou-se dependente dos chamados pacotes tecnológicos e das exigências dos mercados e entrou em recessão... Organizou-se o mercado da agro-exportação, controlada já por apenas 10 grandes multinacionais… Depois, a desregulamentação dos mercados determinou que os investimentos na agricultura produtiva real dessem lugar aos investimentos financeiros especulativos… Os lucros desta nova cadeia de produtos agro-químicos estão concentrados em meia dúzia de mãos...» (Lord Ravenous, “As engrenagens da fome mundial”, 2012).

«Fala-se muito das consequências humanitárias da fome. Mas quem denuncia aqueles que ganham com a fome?… Isto precisa de ser dito com todas as letras: há quem beneficie da engrenagem que produz a fome!» (Ute Shaeffer, “Deutsch Welle”, 2011).

«A verdadeira e principal antecâmara do socialismo consiste na distribuição correcta dos cereais e do combustível, no aumento da sua obtenção, no seu mais rigoroso registo e controlo por parte dos operários e à escala nacional. Isto, já não é uma 'tarefa revolucionária geral' mas, precisamente, uma tarefa comunista, a tarefa em que os trabalhadores e os pobres devem travar uma batalha decisiva com o capitalismo… Merece a pena consagrar todas as forças a esta batalha; as suas dificuldades são grandes mas grande é, também, a causa pela qual lutamos: a abolição da opressão e da exploração!» (V.I. Lenine, “Sobre a Fome, carta aos operários de Petrogrado”, 1918).

Com algumas excepções, o sistema político que actualmente domina o mundo é o neoliberal. O cilindro do neoliberalismo parece derrubar montanhas e impor às massas a vontade imperial dos monopólios. Mas não é assim e nunca assim será. O crime organizado será derrotado.

O que salta à vista é que o neocapitalismo nada tem de novo a não ser o requinte pós-moderno das suas estratégias e das redes das suas intrigas. Quanto ao mais, o novo capitalismo tem por alvo os objectivos que o velho capitalismo sempre visou: a acumulação de capitais e lucros; a conquista dos poderes do Estado; o alargamento contínuo dos mercados e a destruição da pequena concorrência.

Os teóricos da Nova Ordem (os illuminati) reconhecem que só um verdadeiro adversário lhes poderá impedir o avanço e a vitória final: a unidade de classe entre os trabalhadores e os grupos populares espoliados pelo capitalismo. Contas feitas, se a História de repente parasse neste momento, a relação de forças seria, nitidamente, favorável aos imperialistas. Estes, dominam o poder político e controlam as tecnologias, detêm o essencial da comunicação social e do ensino, impõem a sua vontade através de simulações da justiça. Nunca o capital esteve tão perto de fabricar o cidadão robot, serviçal e completamente alienado, pronto a sacrificar-se pelo seu senhor. É o sonho ancestral do trabalho grátis. Para o capitalista do cume da pirâmide, o trabalho serve para abastecer o capital posto o que, todo o trabalhador desnecessário deve ser destruído.

Dez ou quinze anos atrás, o homem comum parecia viver num berço de ouro. A democracia tinha sido uma escolha bafejada pela Vontade Divina. Deus e o Capitalismo eram os grandes vencedores. Os governos benditos detinham varinhas de condão: tudo aquilo em que tocavam se transformava em oiro. Provava-se pois, afinal, que os mais ricos eram também os benfeitores da humanidade: davam aos pobres aquilo que tinham e penhoravam por amor o que não tinham. Se fome ainda houvesse, logo as instituições caritativas da Igreja corriam em socorro do faminto.

Em todo o seu esplendor, a luz da fraternidade brilhava «ao fundo do túnel»...

De repente, tudo se desmoronou.

Dia após dia, hora após hora, explodiam os números do desemprego, das falências, da miséria e da fome. Os governos democráticos rasgavam leis e constituições e impunham a tirania aos povos. Nuvens de escândalos públicos devoravam os mitos do bem-estar. Então, o povo percebeu que aquilo que tinha visto e ouvido era mentira. Os lucros eram dos ricos e os pobres continuavam a pagar os custos. Democracia… nem vê-la! O governo era coito de sociedades secretas e a Igreja um universo de mentiras e imoralidades. A troika estrangeira mandava no país.

Com todo este amontoado de surpresas, compreende-se a estupefacção do povo português. Mas ele já está a despertar.

O poder tem de ser devolvido às comunidades e a terra a quem a trabalha!