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O pecado está liberado, até o próximo conclave

Ismael Cardoso Publicado em 17.02.2013

“Não se desce da cruz”, assim foi sintetizada a melhor crítica à renúncia do Papa, algo que passou longe da imprensa brasileira, que simplesmente ignora a crise moral e política da igreja católica, até os jornais italianos do Berlusconi arriscaram outros palpites! Depois do próprio Bento XVI ter criticado a santa hipocrisia, um ou outro jornalão começa a apresentar outros motivos, que não somente os de saúde (rsrsrs).

Os motivos da renúncia fazem uma lista grande, mas, segundo a Ilze Scamparini é só um problema de saúde. Que tal a disputa interna por mudanças na Igreja, que tem perdido legiões de seguidores? Afinal, o uso da camisinha é praticado pelos próprios fiéis, mas não só a camisinha, os contraceptivos também, e como lhe dar com a juventude que anseia por mudanças?

O que dizer então dos assustadores escândalos de pedofilia, que acontecem ali mesmo, sob o juízo final de Michelangelo, que adorna a capela sistina? O celibato é incompatível com a natureza humana. Léo Huberman é que tinha razão, em seu livro História da Riqueza do homem, faz a crítica ácida ao celibato, que nasce como forma de garantir o patrimônio dos padres para a Igreja. Esta é a mesma igreja que abençoou o primeiro navio negreiro, que tinha por nome Jesus Cristo.

Bento XVI é tão conservador quanto seu antecessor, João Paulo II, os dois são simpatizantes da ordem mais obscura do catolicismo, a Opus Dei, mesma seita do nosso governador Geraldo Alckmin, as pressões mudancistas, que vem da própria sociedade, assim como no Concílio Vaticano II que programou reformas para não perder fiéis, certamente pesaram na decisão do Papa conservador.

Por fim, o que dizer do Vatileaks, que colocou em evidência as vísceras humanas dos cardeais e do próprio Bento XVI? Parecido com um trecho do filme O poderoso chefão, altos membros da igreja se envolvem em tramoias financeiras utilizando mais um braço desconhecido da igreja católica, o Banco do Vaticano, com ativos de 6 bilhões de euros.

Cartas de um cardeal ao Papa denunciam licitações fraudulentas, falta de transparência, corrupção ativa, nepotismo e tudo que nós seres mortais repugnamos. Vejam vocês, com todas as provas, o ex-presidente do banco do vaticano, Ettore Gotti Tedeschi, membro da onde? Da Opus Dei – além de obscura a mais rica organização da igreja –, só foi demitido depois de forte pressão do secretário de estado do Vaticano, Tarcísio Bertone, o ex-presidente do banco era homem de confiança do Papa.
Mas segundo a Ilze Scamparini, é só um problema de saúde…

Enfim, pode não parecer, mas, gostaria do fundo do meu coração que o Papa fosse de fato o representante de Deus na terra, afinal, se ele desceu da cruz o cargo está vago e os olhos de Deus estão fechados até o próximo conclave. Pequemos todos! Sem a vigilância do divino opecado está liberado, estiquemos o carnaval até o conclave. E viva a festa do vinho e da carne, dentro e fora do Vaticano!

*Ismael Cardoso é diretor de Comunicação da UJS Brasil

Fonte: UJS