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Iêmen: derrubar o presidente Saleh ou guerra civil

Serbin Argyrovitz Publicado em 30.03.2011

Parte do Exército e do Serviço Secreto apóia revolta

Ao que tudo indica terminará, em breve, a interminável permanência no poder do presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh que já dura 32 anos inteiros, desde 1978. Mas aquilo que torna os próximos dias críticos é que sinalizarão ou a fase final da derrubada de Saleh, ou a eclosão de uma guerra civil, na qual, não está excluída a vitória de Saleh.

Mas nos próximos dias serão realizados, também, grandes comícios, gigantescos em números, considerando que participará a maior tribo do país, a Al Ahmar, a qual lidera a Federação das THasad, à qual pertence a tribo do próprio Saleh.

Os comícios terão a segurança da Primeira Divisão Blindada do Exército do Iêmen, cujo comandante, general Ali Muhsin al Ahmar, que comanda também a região noroeste do Iêmen, até recentemente era o braço-direito do Saleh e número dois do regime. Mas já passou ao lado dos insurgentes com toda a sua divisão, três generais e uma centena de oficiais.

Ao lado do general cerrou fileiras o grande capitão-do-mato do Iêmen e clérigo radical Abdul Matzid al Zidani, veterano da guerra no Afeganistão, quando, ao lado de mujahedins e guerrilheiros islamitas, combateu as forças da União Soviética. E informações garantem que Galib al Kamis, temido chefe dos Serviço Secreto da Ordem Política e Social do Iêmen, já desertou, aliando-se ao general Ali Muhsin.

Paralelamente, a demissão do governador do Aden, em sinal de protesto pelo massacre que ordenou Saleh há dias, quando tropas fiéis ao regime abriram fogo contra manifestantes dentro da capital Sana, resultando na morte de 50 manifestantes, deverá provocar a eclosão de choques no Iêmen do Sul, que era um país separado até 1990, com capital em Aden.

Paradoxal é a mudança que assumem os fato aqui, no Iêmen. A derrubada do Saleh (ou sua saída voluntária) já é um fato consumado, mas, infelizmente, ao que tudo indica o regime que resultará depois não terá absolutamente nenhuma relação com os desejos e os sonhos dos jovens que iniciaram a insurgência no país.

A adesão aos insurgentes de fortes tribos e altas patentes do Exército do atual regime constituem ameaça mortal de subtração e incorporação da insurgência por aqueles que antes apoiavam Saleh. E, se não eclodir guerra civil, haverá na realidade apenas golpe de Estado interno no âmbito do regime, com simples expulsão de seu líder Saleh.

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Fonte: Monitor Mercantil