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União Européia: Três cenários para o “day after”

Petros Panayotídis Publicado em 01.07.2010

Analistas do Eurobank avaliam a evolução da economia grega Surpresas positivas no que diz respeito à dimensão de redução da dívida e à fiel execução do programa formalizado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a União Européia (UE) e o Banco Central Europeu (BCE). É o que prevê o Eurobank em relatório especial que desenvolveu sobre a economia da Grécia.

Paralelamente, considera improvável uma reestruturação da dívida, mas um provável prolongamento e o eventual e mais veloz retorno em ritmos de crescimento positivos. Especificamente, com reação à eventual reestruturação da divida, por intermédio de processo de desvalorização dos bônus gregos (haircut), é considerado improvável pelos analistas do Eurobank, os quais, contudo, formulam no relatório três possíveis cenários:

1) Considerando que, a Zona do Euro não será esquartejada e que o programa que a Grécia se comprometeu a adotar será materializado com sucesso, o Eurobank considera que o governo de Geórgios Papandreu não promoverá o haircut, mas é bem provável que promoverá o prolongamento da dívida, especialmente dos 110 bilhões de euros que constituem o pacote de salvação do FMI, UE e países da Zona do Euro.

2) A Zona do Euro não será despedaçada, mas o programa fracassará. Neste caso é provável a adoção de um novo programa com condições mais severas e sem haircut. Caso contrário, a Grécia será excluída do euro (Zona do Euro) e, fatalmente, terminará em falência.

3) A Zona do Euro desabará, a possibilidade de falência da Grécia é muito grande e a situação do país será igual à da Argentina.

Entretanto, o Eurobank considera que é mais provável o primeiro cenário. Aliás, seus analistas avaliam que a distância da situação de falência é grande neste momento, mas relatam que os mercados continuam ainda negativos para com os papéis gregos porque confiam que será utilizado o pacote de salvação.

E isto porque existem certos riscos na execução do programa de economia, como o reinício do alavancamento das reformas, o problema da burocracia, a explosão do desemprego e o débil crescimento da Europa que, indiscutivelmente, afetará a economia da Grécia.

Reação foi fraca

Entretanto, contra tudo isso há réplicas. O Governo da Grécia já está alavancando as necessárias intervenções legais, que são exigidas para as reformas. O programa é “mal visto” por causa da maioria das decisões que estão sendo tomadas agora e não mais tarde quando, possivelmente, poderá não existir o assentimento social, enquanto a economia grega é fechada e não é afetada, tanto diretamente do restante da Zona do Euro.

No que diz respeito à execução do orçamento, o Eurobank acredita que existirá “surpresa positiva”. Quer dizer que, o déficit recuará mais do previsto para este ano, e chega à conclusão de que têm sido tomadas medidas que o derrubam para 7,7% do PIB, quando a meta é para ser reduzido para 5,5%.

Finalmente, particular referência é registrada sobre as mudanças nos regimes de trabalho e aposentadoria. Consideram-se “drásticas”, enquanto observa-se que a reação do público não foi tão forte quanto em 2001.

Para o programa de desestatizações, os analistas sustentam que poderiam ser arrecadados mais de 10 bilhões de euros nos próximos quatro anos. Volume de recursos que reduziria por igual, também, a dívida pública.

No entanto, para a evolução da dívida, o Eurobank considera que, se forem atingidos ritmos de crescimento superiores a 1% por ano nos próximos anos, então o débito em 2020 será de 80% do PIB, e não 120% do PIB, com é previsto no cenário básico do FMI.

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Fonte: Monitor Mercantil