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Tambores da guerra ecoam de novo no Grande Oriente Médio

Jafar El Caiat Publicado em 01.05.2010

Uma nova guerra na região parece inevitável. Cada vez maiores dimensões diplomáticas começam assumindo, gradualmente, as informações disponíveis, inicialmente, graças a “vazamentos” e, em seguida, tomando a feição de declarações oficiais das mais altas autoridades israelenses (como o presidente Simon Pérez) sobre transferência de mísseis de logo alcance (Skud) da Síria ao sul do Líbano e, especificamente, destinados à organização Hezbollah.

O governo de Washington, embora, tenha reconhecido que não pode confirmar algo assim, adotou as sustentações israelenses, assim como as suspeitas de Tel Aviv de que, provavelmente, a Síria funcionou apenas como “centro de trânsito” para os mísseis que provinham do Irã.

Tendo como denominador estas argumentações, o Departamento de Estado dos EUA protestou, oficialmente, à missão diplomática síria junto à Organização das Nações Unidas (ONU) nos EUA e suas autoridades vociferaram as clássicas ameaças sobre “sérias consequências”, no caso em que estas informações fossem confirmadas, deixando em aberto ainda a eventualidade de ação militar contra Damasco.

E tudo isso, enquanto a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, insistia que “a governança de Barack Obama considera “importante para os interesses norte-americanos” a melhoria das relações com a Síria, adotando uma posição, no mínimo, “confusa”.

De acordo com os conhecidos – para a região – fundamentos (isto é, as acusações israelenses contra a Síria, a vilanesca postura do imperialismo norte-americano e, os desmentidos sírios), vem a se somar um novo dado, relacionado com o passado recente que torna mais complicada a situação. Trata-se da postura da liderança libanesa.

O primeiro-ministro do Líbano, Saad Harire, estreito e sem pretextos aliado dos EUA, que hoje chefia um governo de “unidade nacional” com a participação do Hezbollah, desmentiu, categoricamente, as argumentações israelenses. E não só isso. Repetiu a interpretação síria, de acordo com a qual o Governo Netanyahu tenta reorientar a opinião pública mundial de seus sucessivos desafios nos territórios palestinos ocupados, enquanto, cultiva o “clima de tensão”.

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Fonte: Monitor Mercantil