Especiais - Guerrilha do Araguaia, uma geração de armas nas mãos contra a ditadura

Caravana ao Araguaia escuta camponeses e fortalece a primeira Comissão da Verdade na Amazônia

Publicado em 16.11.2015

A Caravana do Araguaia desembarcou na Palestina do Pará, pequena cidade onde se debruça sobre o Araguaia. Nos dias da ensandecida invasão das tropas militares para combater a guerrilha do Araguaia, entre 1972 até 1975, a corrutela, com mais de duas mil pessoas, assistiu todos os seus homens, acima de quatorze anos, serem presos, muitos torturados até a náusea pelas ordens do general Antônio Bandeira, Major Curió e tantos outros bárbaros a serviço da repressão política.

A Caravana do Araguaia vai percorrer municípios onde houve repressão militar durante a ditadura

No ato que deu início aos trabalhos o prefeito do município, Valciney Ferreira Gomes, assinou o decreto de criação da Comissão Municipal da Verdade e Memória de Palestina do Pará – CMVPP, a primeira em âmbito municipal na Amazônia, que tem como finalidade colaborar com os trabalhos da Comissão Estadual da Verdade, universidades públicas e movimentos sociais, para que, em parceria, possam investigar e esclarecer graves violações aos Direitos Humanos como torturas, mortes e desaparecimentos forçados ocorridos neste município durante a Ditadura Militar. Ainda, como um gesto de compromisso com a luta pela memória e verdade, Valciney Gomes destinou um espaço para o funcionamento da CMVPP, nas margens do Rio Araguaia.

A Comissão é composta por cinco membros, são eles o representante da Secretaria Municipal de Saúde, Sezostrys Alves da Costa – que será seu presidente -; dos professores de História do município, Miracy Nogueira Menezes; do poder Legislativo Municipal, Edith Pereira de Souza,; dos familiares de Camponeses Perseguidos na Guerrilha do Araguaia, Ellen Cristina das Chagas e pelo representante dos servidores públicos municipais, Hildo Ferreida da Silva.

Para o presidente da CMVPP, Sezostrys Alves da Costa, a Palestina ‘têm dado reconhecimento aos que lutaram contra a Ditadura Militar e a efetiva demonstração disso está na inauguração da Unidade Básica de Saúde Paulo Roberto Pereira Marques, o “Amauri”, farmacêutico da guerrilha e amigo dos lavradores’, afirmou o atual secretário de saúde da Palestina do Pará.

Os trabalhos da Comissão Municipal da Palestina do Pará acontecem até dezembro de 2016, as informações recolhidas pera comissão serão encaminhadas aos órgãos públicos competentes para que possam auxiliar na identificação de corpos e restos mortais de desaparecidos, bem como na identificação de estruturas, locais, instituições e circunstancias relacionadas às práticas de violações dos Direitos Humanos.

No ato, além do prefeito Valciney Gomes e da vereadora e dos servidores municipais empossados, estiveram presentes Paulo Fonteles Filho e Marco Apolo (CEV-Pa), Diva Santana (Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos da SDH) e Erinaldo Cavalcante (Unifesspa).

A Caravana ao Araguaia deu também início à programação de oitivas de camponeses e antigos moradores da região da Palestina do Pará que estiveram envolvidos na Guerrilha do Araguaia, que deve durar todo o dia de hoje e se alongar pela noite. O primeiro a prestar depoimento foi o gestor municipal que relatou sobre o medo, a violência perpetrada e as duras condições da infância daqueles tempos.

A expectativa de ambas as Comissões da Verdade, municipal e estadual, é que mais de 40 pessoas deem seus depoimentos. Depois de Palestina do Pará a caravana segue para São Geraldo do Araguaia, onde serão coletados novos depoimentos na sede do Sindicato dos Trabalhadores na Educação Pública no Pará (Sintepp/Saga) como também na Reserva Indígena Sororó, dos Aikewara-Suruí.