Especiais - Guerrilha do Araguaia, uma geração de armas nas mãos contra a ditadura

Guerrilha do Araguaia: sem a verdade não há justiça

Osvaldo Bertolino Publicado em 12.04.2013

Na tarde da sexta-feira 17 de novembro de 2012, os camponeses do Araguaia registraram mais uma importante página da história do movimento guerrilheiro que combateu a ditadura de 1964 no sul do Estado do Pará no começo da década de 1970. Cerca de 200 camponeses e indígenas ocuparam o plenário da Câmara Municipal de Marabá (PA) em audiência pública da Comissão Nacional da Verdade, que ouviu relatos minuciosos sobre as atrocidades que os agentes a serviço daquele regime tirano praticaram contra a população local.

Pedro Mariveti mostra a bandeira do PCdoB e a foto de Osvaldão Foto: Osvaldo Bertolino

A representante da Comissão Nacional da Verdade, Maria Rita Kehl, ouviu relatos dramáticos dos camponeses e indígenas castigados por apoiar os guerrilheiros. Na abertura do evento, ela disse que na distribuição de atividades na Comissão Nacional da Verdade escolheu os casos dos camponeses e indígenas para relatar porque em seu entendimento estas pessoas sofreram mais do que as que foram vítimas nas cidades.
Maria Rita Kehl
Segundo Maria Rita Kehl, em várias regiões do campo no Brasil, pelo isolamento, foram praticadas as piores injustiças. No Araguaia, além das torturas físicas e das mortes, afirmou a representante da Comissão Nacional da Verdade, as vítimas da repressão perderam suas terras pelo simples fato de conviver com os guerrilheiros. “Naquela época, o Estado achava que podia tudo”, afirmou. Apesar dos limites da Comissão Nacional da Verdade, que não tem poderes para punir os responsáveis pelas atrocidades cometidas, o resgate dos fatos ocorridos é importante para que se saiba o que aconteceu com a população local, observou.
Paulo Fonteles Filho, representante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no Grupo de Trabalho Araguaia (GTA) e vice-presidente do Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça – comandada pela Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos –, anunciou que no dia anterior foi criada, “de forma altiva e corajosa”, a Comissão da Verdade dos índios suruís, a primeira do país destinada a investigar crimes da ditadura contra a população indígena.
A iniciativa faz parte do cumprimento da resolução publicada no Diário Oficial da União do dia 16 de novembro que criou, no âmbito da Comissão Nacional da Verdade, um grupo de trabalho para apurar violações dos direitos humanos por motivações políticas dos indígenas e das pessoas que lutavam pela terra. Paulo Fonteles Filho anunciou que no final da audiência pública seria criada também a Comissão da Verdade dos camponeses.
Sezostrys Alves Costa
Sezostrys Alves Costa, presidente da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia (ATGA), registrou a importância da audiência pública pelo reconhecimento do Estado brasileiro de que houve atrocidades contra os camponeses e indígenas. Segundo ele, o Estado precisa, além de reconhecer, reparar as injustiças praticadas na região. Ao resgatar a história dos acontecimentos durante a Guerrilha do Araguaia, disse Sezostrys Alves Costa, pela primeira vez o Estado brasileiro terá, em documentos oficiais, a memória do ocorrido para que a sociedade possa conhecer o que foi a ação da repressão nos anos de chumbo sobre a população local. A criação da Comissão da Verdade dos camponeses, afirmou, ajudará a registrar fatos ainda desconhecidos.
Relatos emocionados
Os depoimentos começaram com relatos de representantes dos índios suruís dando conta de torturas, assassinatos e estupros praticados pelos agentes da repressão. O relato mais minucioso foi o do cacique Tibacu, da aldeia Itahy, que viveu na cidade de São Paulo durante 8 anos para estudar, segundo ele até noções de enfermagem, por orientação do dominicano Frei Gil Gomes Leitão, responsável pelos primeiros contatos com aqueles indígenas nos anos 1950 e seu protetor – assim como dos camponeses – durante a repressão à Guerrilha.
Na volta, ele se deparou com a presença dos agentes da repressão, que o obrigaram a caminhar com eles pela mata a procura dos guerrilheiros. A passagem mais impressionante foi o relato sobre um episódio em que ele foi obrigado a rasgar as vestes de uma índia tida como sua mãe de criação, que se recusou a fazer “terecô” – uma manifestação religiosa local, com influências indígenas – para que os guerrilheiros aparecessem. A índia Arihera também relatou atrocidades cometidas pelos agentes da repressão.
O camponês Euclides Pereira de Sousa, conhecido como Beca, contou casos bárbaros, como o de um buraco que fora obrigado a cavar para ser enterrado vivo. Segundo ele, depois de várias ameaças surgiu um agente com a cabeça de um guerrilheiro, que foi enterrada no local. Lauro Rodrigues dos Santos narrou em detalhes o episódio em que perdeu um dos braços na explosão de uma granada deixada na propriedade de seu pai. Seu irmão de criação, chamado Sabino, morreu e seu corpo, recolhido pelos militares, está desaparecido. Dona Adalgisa falou da situação do seu marido, Frederico, que ficou inválido e com problemas psíquicos irreversíveis em decorrência das bárbaras torturas que sofreu. Chorando, ela disse que Frederico chegou a ser pendurado pelos testículos.
Outros camponeses relataram episódios com o mesmo grau de perversidade. Pedro Matos do Nascimento, conhecido como Pedro Mariveti, subiu à tribuna da Câmara dos Vereadores com a bandeira do PCdoB nas mãos, mostrando para a plateia que “a causa começou com esse Partido”. “Quem não conhece, passa a conhecer”, afirmou. “PCdoB: 25 de março de 1922”, leu a inscrição da bandeira.

Em seguida, ele folheou uma revista de 1978 com relatos da Guerrilha, mostrando fotos dos guerrilheiros e lendo trechos da reportagem escrita poucos anos depois dos acontecimentos no Sul do Pará. “Esta é uma revista que tem a história da Guerrilha do Araguaia. Ela está velhinha quanto eu”, comentou. “Aqui está um dos guerrilheiros, o Osvaldão, Osvaldo Orlando da Costa”, afirmou, lendo em seguida a legenda da foto com um resumo da vida do famoso guerrilheiro. Mostrou ainda fotos da “nossa companheira” Elza Monnerat e do “nosso companheiro” Ângelo Arroyo, membros da direção nacional do PCdoB na ocasião.
Em outra página, apontou as fotos das “feras”, os “responsáveis por tudo o que aconteceu”: general Antônio Bandeira, general Viana Moog e general Hugo de Abreu. Mais adiante, mostrou a foto do “Deus da época” em Marabá, o coronel Jarbas Passarinho. “Como não queria assumir a responsabilidade sozinho, disse que a guerra tinha sido suja de ambos os lados”, protestou. Em seguida, mostrou João Amazonas e Maurício Grabois na histórica foto da bancada parlamentar do Partido Comunista do Brasil eleita em 1945. “Vinte anos depois, Guerrilha do Araguaia”, leu na legenda.
Mostrou também a foto do guerrilheiro José Genoino Neto, dizendo que a reportagem contava a sua história desde que ele deixou seu Estado natal, o Ceará. O caso seguinte relatado pela reportagem mostrada por Pedro Mariveti era o de um índio suruí, “usado pelo Exército na época”. “É mais uma prova de que os índios realmente foram envolvidos na Guerrilha do Araguaia, como foram os camponeses”, afimou. A revista ainda falava do envolvimento de padres da região, igualmente perseguidos pelos agentes da ditadura. Pedro Mariveti encerrou relatando casos de atrocidades cometidas na região, inclusive a sua prisão.
Depoimentos ricos
O deputado estadual Edmilson Rodrigues (PSOL), presente na audiência pública, agradeceu a oportunidade de testemunhar depoimentos tão ricos para resgatar a verdade sobre um importante episódio da história brasileira. “A Comissão da Verdade é um ganho da nossa democracia. Eu espero que possamos avançar muito. O fato de descobertas terem ocorrido é parte dessa conquista. E, se é possível ler quase que permanentemente manchetes que dão conta de que na Argentina, no Uruguai e no Chile os algozes da democracia são processados e vão presos, por que no nosso país todas as vezes que se fala em reescrever a história, em recuperar a verdade, cria-se logo todo um aparato de discursos e uma prática perversa de dizer que estamos aqui querendo reascender ódios e fazer a luta de classes?”, discursou.
Edmilson Rodrigues
Edmilson Rodrigues comentou o caso de Sebastião Curió, um dos criminosos do Araguaia, recentemente denunciado pelo Ministério Público Federal. “Até hoje, os sequestrados por ele não reapareceram, então o crime permanece”, afirmou. “Crimes contra a humanidade, contra a vida e contra a soberania nacional não podem prescrever. A verdade não pode ser sepultada. A verdade tem de prevalecer”, disse, completando que os esforços da Comissão Nacional da Verdade em todo o país são contribuições para que o país possa avançar no rumo da democracia e da felicidade para o povo.
Prefeito eleito de Marabá
O deputado estadual e prefeito eleito de Marabá, João Salame, do Partido Popular Socialista (PPS), falou em seguida, enfatizando a importância daquela audiência pública. Segundo ele, independente de se concordar ou não com a opção dos guerrilheiros do Araguaia de pegar em armas para enfrentar a ditadura, eles foram talvez os melhores dos patriotas brasileiros naquele momento do país. “Todos os testemunhos que nós temos são de que os guerrilheiros tratavam com respeito os camponeses. Com carinho, com solidariedade. Afinal de contas, era essa a visão de mundo, de vida, que eles tinham. E, evidentemente, como eu digo sempre, concordando ou discordando com a maneira como eles decidiram enfrentar a ditadura, não podemos aceitar em nenhum momento que tenham sido barbaramente assassinados, sob torturas, indefesos na maioria das vezes”, afirmou. “A nossa democracia será sempre capenga enquanto ela não prestar contas desses crimes perpetrados contra a humanidade”, asseverou.
Segundo ele, sem punição fica claro que esses tipos de crime podem ocorrer novamente. João Salame conclui dizendo que falar da Guerrilha do Araguaia é tocar em temas mais do que atuais. “Porque os motivos que levaram muitos jovens a empunhar a bandeira da liberdade e do socialismo continuam existindo”, afirmou, citando a injustiça profunda, a concentração de terra absurda, os grandes projetos que pouco dialogam com a comunidade local e a utilização das riquezas nacionais para as grandes multinacionais aumentarem seus lucros. “A luta dos jovens do Araguaia continua mais viva do que nunca”, asseverou.
Segundo ele, é preciso apurar a verdade, sem nenhum tipo de perseguição. Quem cometeu crime atroz deve pagar por eles, como ocorre na Argentina, onde até ex-presidentes da República foram para a cadeia, disse. João Salame comentou que ajudou o professor Romualdo Pessoa na coleta de informações para escrever o livro Guerrilha do Araguaia – a esquerda em armas e encerrou dizendo que, na condição de prefeito, o que puder fazer para ajudar a apurar os fatos estará à disposição. Ele sugeriu que no centenário da cidade de Marabá, em 5 de abril de 2013, seja instituída a Comissão Marabaense da Verdade.
Fundação Maurício Grabois
As entidades presentes também fizeram uso da palavra. Falaram representantes do "Levante Popular da Juventude" e da "Comissão Pastoral da Terra". Falando em nome da Fundação Maurício Grabois, o jornalista Osvaldo Bertolino disse que resgatar a verdade sobre o que aconteceu com os camponeses do Araguaia é fundamental no sentido de se criar mais elementos para punir os que cometeram crimes na região e fazer justiça aos que foram perversamente castigados pelo simples fato de apoiar os guerrilheiros que combatiam a tirania e defendiam a liberdade.
Os camponeses, disse, foram protagonistas, junto com os guerrilheiros, de um importante momento da história brasileira ao defender os direitos mais fundamentais do povo. Lembrou que o patrono da Fundação que representava, Maurício Grabois, foi o comandante da Guerrilha e seu nome consta da lista dos desparecidos. E enfatizou que o resgate da verdade pode ajudar a Comissão de Anistia a acelerar o processo de indenização aos camponeses, resgatando também a justiça que eles tanto esperam e tanto merecem. Também presente à audiência pública, o deputado federal Zequinha Marinho (PSC-PA) saudou a iniciativa da Comissão Nacional da Verdade.
Clamor dos camponeses
Depois da audiência pública, Edmilson Rodrigues disse ao Portal Grabois que a Comissão da Verdade, ao privilegiar a região do Araguaia para dar continuidade à sua investigação, afirma a sua importância estratégica. Segundo ele, até hoje o Brasil vive as consequências da ditadura. “A banalização da violência não é outra coisa senão o rescaldo de uma cultura autoritária que em grande medida se constituiu no período da ditadura militar”, asseverou, complementando que os métodos utilizados para combater a Guerrilha do Araguaia foram um exemplo dessa prática.
Edmilson Rodrigues disse ainda que na Assembleia Legislativa do Pará tem amplificado o clamor dos camponeses do Araguaia sobre a indenização a que eles têm direito. Segundo ele, o próprio governo do Estado deveria ter uma política para reconhecer, anistiar e indenizar as vítimas da ditadura. Na esfera federal, disse ele, seria importante a criação de um movimento para pressionar a agilização dos processos. Segundo o deputado do PSOL, com as bancadas de esquerda e progressistas nos parlamentos as condições são propícias no sentido de fazer esse movimento crescer para que mais e mais camponeses e vítimas da ditadura em geral tenham direito à anistia, ao reconhecimento dos seus direitos e à indenização.
Espírito da Guerrilha do Araguaia
Maria Rita Kehl, também falando ao Portal Grabois, elogiou o evento, segundo ela muito bem organizado, com a participação espantosa de gente que veio de longe e passou o dia na cidade. “Me parece que a Guerrilha deixou alguma coisa aqui”, afirmou. Segundo ela, os guerrilheiros politizaram os camponeses da região, que entenderam os ideais da Guerrilha. Maria Rita Kehl ressaltou que os moradores do Araguaia se recusam a chamar os que combatiam o regime de “terroristas”, como dizia a ditadura. “Eles dizem que terroristas eram os militares. Eu acho essa frase fantástica. Ouvi isso várias vezes, porque acho que entre eles ela já se difundiu”, afirmou.
Para a representante da Comissão Nacional da Verdade, a população local incorporou o espírito da solidariedade e da cooperação, o espírito crítico contra o autoritarismo difundido pela Guerrilha. “Este espírito está vivo aqui”, enfatizou ela. “Em vez de exterminá-lo, ele está preservado. Acho que isso é efeito da convivência com a Guerrilha”, completou. Segundo Maria Rita Kehl, a Comissão Nacional da Verdade saiu da audiência com um painel amplo dos acontecimentos ocorridos na região. “Não só com os depoimentos, mas com essa emoção, que também tem de constar do relatório”, destacou.
Sezostrys Alves Costa falou ao Portal Grabois que a Comissão Nacional da Verdade visita a região pela segunda vez, agora com tempo para ouvir os relatos, sistematizá-los e ter a dimensão do que foi a Guerrilha do Araguaia. Outro aspecto importante da audiência, disse ele, é que ela transforma os acontecimentos da região em um relato oficial para o Estado brasileiro. “Todos os depoimentos colhidos até então foram frutos de inquéritos voltados para a questão da reparação econômica pela Comissão da Anistia, mas não havia ainda um documento oficial do Estado”, afirmou. Segundo Sezostrys Alves Costa, a Comissão Nacional da Verdade saiu da audiência com um bom painel sobre os acontecimentos, mas ainda não ouviu o suficiente para o entendimento do que ocorreu na região em seu todo.
Destemor dos camponeses
Paulo Fonteles Filho disse ao Portal Grabois que a audiência pública foi um ato histórico, não apenas por conta da Guerrilha, um movimento muito importante da história da luta do povo brasileiro, mas também pelo que ela projetou. A importância, afirmou, é pelo destemor dos camponeses, que historicamente têm relatado esse processo como um todo, e pelo nível de organização deles, criando a Comissão da Verdade deles e dos índios. Segundo ele, a presença da Comissão Nacional da Verdade na região coroou um trabalho de aproximação com os índios suruís, que vem de longa data. Paulo Fonteles Filho explicou que as comissões locais tem caráter político, mas também respondem a uma institucionalidade das tradições indígenas e da consciência política dos camponeses locais.
Ele comentou também que quando chegou à região com o GTA, em 2009, o que existia era a dimensão apontada pelos militantes políticos. Convivendo com o povo da região, os integrantes do grupo se depararam com outra realidade. Segundo Paulo Fonteles Filho, seguramente mais de 350 camponeses foram assassinados entre 1972 e 1975. Para ele, é papel dos comunistas relatar e registrar a importância que a Guerrilha teve para a região e para o nível de consciência dos moradores locais. Paulo Fonteles Filho afirma que já foram descobertas muitas coisas, mas muito ainda há para ser descoberto. Em sua avaliação, existem mais coisas das quais não se sabe do que as que se sabe.
Segundo ele, a organização dos camponeses e dos indígenas, mais a ida da Comissão Nacional da Verdade na região, a luta pela reparação econômica das vítimas locais da repressão e a busca dos heróis do Araguaia, representam um grande avanço no sentido de se saber o que realmente aconteceu. Para Paulo Fonteles Filho, a Comissão Nacional da Verdade saiu da audiência pública com um bom painel sobre os acontecimentos, lembrando que Maria Rita Kehl passou o mês de outubro percorrendo diferentes localidades de atuação da Guerrilha, formando um conjunto de informações mais exato. Ele afirmou que mais gente precisa ser ouvida, inclusive ex-soldados, complementando que alguns deles já estão colaborando.
Paulo Fonteles Filho comentou ainda que mais do que indenização os camponeses querem justiça. “A região precisa ser reconhecida pelo que houve aqui. Acho que esta construção tem, basicamente, três aspectos: a luta pela reparação econômica, a luta da Comissão Nacional da Verdade no sentido dos relatos das vítimas e a questão dos heróis do povo brasileiro que despareceram nas matas do Araguaia. As três tarefas se combinam, mas cada uma tem as suas características próprias. E em todas elas temos avançado”, destacou. Segundo ele, desde 2009 o processo de busca dos desaparecidos tem conseguido resultados significativos. Naquele ano e em 2010 foi encontrada apenas uma ossada. Em 2011 foram achadas cinco e em 2012, nove. Para 2013, a meta é encontrar 14 ossadas.
Depoimentos de ex-soldados
Outra informação importante de Paulo Fonteles Filho é que durante o ano que vem o GTA deve retomar as buscas dos desaparecidos, agora  novamente no núcleo urbano de Marabá, no Cemitério “Jardim da Saudade”. Segundo ele, o grupo tem indicações de fonte segura de que poderão ser encontrados aproximadamente 14 desaparecidos no local. “Essas informações são de agentes da repressão, daqueles que atuaram para sufocar o movimento”, afirmou.
No dia anterior à audiência pública em Marabá, a Comissão Nacional da Verdade visitou o povo da etnia suruí, que atualmente vive na Terra Indígena Sororó. Segundo Paulo Fonteles Filho, os índios fizeram um relato inédito sobre o período da Guerrilha. Um grupo de 40 deles participou da audiência pública em Marabá. 
No dia seguinte (18), a Comissão Nacional da Verdade ouviu o depoimento de três ex-soldados que atuaram no combate à Guerrilha do Araguaia. Eles foram localizados por Paulo Fonteles Filho. "Eles também guardam muito sofrimento. Torturaram ou assistiram práticas de tortura e isso os afetou psicologicamente. Tanto que hoje recebem atendimento", disse Maria Rita Kehl.