Prosa@Poesia

O Menino do Dedo Verde

Luiz Henrique Dias Publicado em 14.05.2012

 

O Menino do Dedo Verde

 

“Se tem uma coisa que os franceses sabem fazer muito bem, além de falar aquela língua linda, é escrever historinhas infantis feitas especialmente para adultos. O Menino do Dedo Verde, de Maurice Druon, confirma a regra. Ele conta a história de Tistu, um menino muito especial, capaz de transformar as paisagens mais tristes em belos arbustos(...)”.

      Sol da manhã. O movimento, logo cedo, das galinhas faz com que Tistu se levante de sua cama e olhe, durante alguns segundos, para o forro do quarto. A luz do dia visita o espaço pelas frestas da antiga parede de madeira, convidando o menino a mais um dia de vida intensa e bem vivida. Ele se levanta e, mesmo antes de visitar o lavado, já prepara a água de seu café (amigo de todos os dias) enquanto olha seus animaizinhos e plantas. Recolhe as sujeiras, dá bom dia para o bichos (que o reconhecem pelo cheiro e pelo amor que leva às criações da casa) ajeita os galhinhos, observa as flores que se abriram durante a madrugada e conta os novos frutos. Aí sim seu dia pode começar.

      O que o aborrece? O trabalho longe das plantas e dos animais. Este sim o incomoda. Faz com que ele feche a cara e parece ser quem ele Tistu não é: temperamental. Mas quando volta de seus afazeres do mundo, se tranca em seu pomar, sempre a companhia de um animalzinho, e se põe a cultivar mudas, colher morangos e semear novas plantinhas da estação.

      E se a vida o leva daquela terra, daquela casa, leva todas as plantas que pode, uma a uma. O que não consegue levar, planta novamente. Começa do zero, muda a muda, semente a semente e, mais cedo do que todos imaginam, mostra o porquê Tistu é o menino do dedo verde, aquele que planta e colhe não por técnica, mas por amor ao que faz. E o que colhe de seu trabalho divide com todos. Pois acredita que assim a natureza sempre nos dará mais e mais. O que é da Terra deve servir a todos da terra.

      Ao final do dia, a escuridão da noite não o impede de cultivar. Tistu utiliza a luz do homem, o sol da noite, para continuar a regar e cuidar dos frutos da terra. Ali ele alivia a tristeza, desvia os pensamentos, compartilha as alegrias e, principalmente, mostra que amor plantado é amor colhido. Tistu existe pra mim (e sempre existiu), desde o dia em que percebi o quanto é bonito seu trabalho e o quanto me sinto seguro ao seu lado. Ele saiu das páginas daquele livro que li, ainda menino, e foi morar no quarto ao lado. Ali, perto.

 

 

 

      Luiz Henrique Dias é estudante de arquitetura, sonhador, dramaturgo, poeta e escritor