Prosa@Poesia

Carta de Idalzira para Joan

Idalzira Bezerra de Oliveira Publicado em 11.02.2011

Glosa:
“Eu vivo nesta cidade
Para cumprir minha sina
Nunca gozei nesta vida
Pois sofri desde menina”

Peço para me escutar
Porque minha história é triste
Não sei como se resiste
Tanta mágoa a enfrentar
Comecei a trabalhar
Com poucos anos de idade
Criei-me na orfandade
Enfrentei um golpe fino
Para cumprir meu destino
Eu vivo nesta cidade

Papai foi que nos criou
Mas nunca nos deu madrasta
Pois de sofrimento basta
O que o destino mandou
Papai muito trabalhou
Com ajuda da mão divina
Numa cidade pequenina
Viver pobre como Jó
Morreu e me deixou só
Para cumprir minha sina

Depois veio o casamento
Que era a última esperança
Porém uma brisa mansa
Que soprava igual ao vento
Não escolhia momento
Pra me deixar nesta lida
Numa existência sofrida
Que é duro de se imaginar
Por isto eu vou lhe contar
Nunca gozei nesta vida

Cinco filhos eu criei
Com um trabalho danado
Mas foi bom o resultado
De um a um eduquei
Com o pouco que ensinei
Tornaram-se gente fina
Todos cumpriram a sina
Foram embora trabalhar
Não adianta reclamar
Pois sofri desde menina

Cedro, 05 de junho de 1990


Cordel Umbilical: Correspondência Poética e outros escritos – Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2010, pág. 44.