Prosa@Poesia

Ébria

Alexandre Pilati Publicado em 06.10.2008

*

J'ai vu le soleil bas, taché d'horreurs mystiques,
Illuminant de longs figements violets,
Pareils à des acteurs de drames très antiques
Les flots roulant au loin leurs frissons de volets !

 

Arthur Rimbaud

neste fim
de mundo
em que a tevê
e a noite cantam
a inviabilidade
da próxima semana
e o escuro
engole
estrelas

(e sequer mar ou maré ou mãe embalariam meus medos)

perco o receio
e a inocência
estirado neste leito
ainda muito meu
imperativamente – bêbada terra firme

mas não estou só na minha propriedade

uma pesada mosca
quase de pedra
zanza e zumbe
sobre os escombros
que chamo de corpo
zanza e zumbe
e dança sua valsa
em z  sua reflexão
orbital  sujo planeta
mínimo  da miséria
de meu  sistema
em z  dança e zumbe

à procura de uma saída

estala no espelho

cria na liberdade!?!

 

 

deu de cara
consigo mesma
e consigo outra
mais mosca
mais zonza   ébria
ébria zanzou e zumbiu
seus   erro s 
o pezo   de seu dezejo

o click no abajur
o breu
forjado
breu
deram enfim descanso
à ébria
mosca
e aos brios
meus