Prosa@Poesia

Em caso de emergência

Alexandre Pilati Publicado em 10.06.2008

*

ajuda dizer hesitando que
salvo algum engano
me enchi de vez dessa
tranqueira desses livros
inúteis acumulando rebeliões
sobre o mogno da cabeceira
agitando a revolta inútil
em algumas de minhas sinapses

se ajudasse, perguntaria:
houve brasil em tempo algum?

e vive alguém neste imenso sótão
placenta de meus trastes?

dada a urgência,
teria dúvidas
para dizer

melhor seria estar na cadeia
ou imiscuir-me nos efeitos especiais
de uma fita de hollywood

se isso me salvasse, diria
de minha carne augusta
composta de dívidas
decompondo-se ao ruído roedor
da mercadoria de todo dia

dar-te-ia feito flores o que meu bolso
da camisa vive regurgitando:
essa límpida pedra de gelo
que outros chamam poema
e que teima em não derreter
entre o calor dos trópicos desiguais
e a arritmia do meu coração
em chamas

mas isso em caso de emergência...

basta, por ora, um pique-nique
mudo, sem rosas, sem vísceras
ao rés do chão sujo da capital
transmitido ao vivo pela MTV,
 

se não estou enganado