Prosa@Poesia

Produção

Graciliano Ramos Publicado em 06.09.2007

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      Dos administradores que me precederam uns dedicaram-se a obras urbanas; outros, inimigos de inovações, não se dedicaram a nada.

      Nenhum, creio eu, chegou a trabalhar nos subúrbios.

      Encontrei em decadência regiões outrora prósperas; terra aráveis entregues a animais, que nelas viviam quase em estado selvagem. A população minguada, ou emigrava para o sul do País ou se fixava nos municípios vizinhos, nos povoados que nasciam perto das fronteiras e que eram para nós umas sanguessugas. Vegetavam em lastimável abandono alguns agregados humanos.

      E o palmeirense afirmativa, convicto, que isto era a princesa do sertão. Uma princesa vá lá, mas princesa muito nua, muito madraça, muito suja e muito escavacada.

      Favoreci a agricultura livrando-a dos bichos criados à toa; ataquei as patifarias dos pequeninos senhores feudais, exploradores da canalha; suprimi, nas questões rurais, a presença de certos intermediários, que estragavam tudo; facilitei o transporte; estimulei as relações entre o produtor e o consumidor.

      Estabeleci feiras em cinco aldeias: 1:156$750 foram-se em reparos nas ruas de Palmeira de Fora.

      Canafístula era um chiqueiro. Encontrei lá o ano passado mais de cem porcos misturados com gente. Nunca vi tanto porco.

      Desapareceram. E a povoação está quase limpa. Tem mercado semanal, estrada de rodagem e uma escola.



Graciliano Ramos – Relatórios
Organização Mário Hélio Gomes de Lima
Editora Record