Prosa@Poesia

Madalena

Olavo Bilac Publicado em 25.07.2007

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“Maria Madalena, Maria de Tiago, e Sa-
lomé compraram aromas, para irem embal-
samar a Jesus. Mas, olhando, viram revolvida a pedra...
E Jesus, tendo ressurgido,
apareceu primeiramente a Maria Madalena.”
(S. MARCOS, cap. XVI.)

 
Quedaram, frio o sangue, as mulheres chorosas,
Sem cor, sem voz, de espanto e medo. E, de repente,
Caíram-lhes das mãos as ânforas piedosas
De bálsamo odoroso e de óleo recendente.

Enfeitiçou-se o chão de um perfume dormente,
E o arredor trescalou de essências capitosas,
Como se a terra toda abrisse o seio, e o ambiente
Se enchesse de jasmins, de nardos e de rosas.

E Madalena, muda, ao pé da sepultura,
Tonta da exalação dos cheiros, em delírio,
Viu que uma forma, no ar, divinamente bela,

Vivo eflúvio, vapor fragrante, alva figura,
Aroma corporal, pairava...
    Como um lírio,
Num sorriso, Jesus fulgia diante dela.

 

Poesias – Olavo Bilac
Coleção Prestígio
Livrarias Edições Ouro
Posfácio de R. Magalhães Júnior
Editora Tecnoprint ltda.