Prosa@Poesia

De palmares a angicos

Cida Pedrosa Publicado em 06.03.2007

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 o cheiro da cana é marrom
 como a terra-mata
 de palmares a angicos
 
 zumbi conselheiro
 
 o grito da cana é verde
 como a terra-una
 vazante o olho do sol
 
 lampião cangazumba
 
 o gesto do homem é preto
 queimada a lua nascente
 carvão noite minguante
 
 quilombo vaza-barris
 
 o doce do açúcar é branco
 sabor sem par
 como a terra-foice
 
 o toque do algodão é branco
 sentir sem par
 como a terra-faca
 
 o gosto do leite é branco
 prazer sem par
 como a terra-suga
 
 sertão mata agreste
 cinza verde amarelo
 como a terra-dor