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Humberto Mauro, um brasileiro

ACAS Publicado em 13.12.2016

Foi um dos pioneiros do cinema brasileiro. Fez filmes entre 1925 e 1974, sempre com temas brasileiros. Foi a inspiração principal da geração do Cinema Novo. Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha eram seus admiradores declarados.

Filho de Gaetano Mauro, imigrante italiano, e de Teresa Duarte, mineira culta e poliglota, Humberto Mauro nasceu na Zona da Mata mineira dois anos depois da histórica sessão cinematográfica promovida pelos irmãos Lumière, em Paris. Portanto, Humberto Mauro (nasceu em Volta Grande [MG], em 30 de abril de 1897 e faleceu no Rio de Janeiro em 5 de novembro de 1983), foi um dos pioneiros do cinema brasileiro. Fez filmes entre 1925 e 1974, sempre com temas brasileiros.

Ainda criança, mudou-se com a família para Cataguases (MG). Humberto Mauro é autor do mais significativo ciclo regional do cinema brasileiro, iniciado em 1926, em Cataguazes (MG), com "Na Primavera da Vida". Durante seus últimos anos de vida, Mauro foi a inspiração principal da geração do Cinema Novo. Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha eram seus admiradores declarados. Mesmo sem dirigir, deu colaboração informal a cineastas como o próprio Nelson, para quem escreveu os diálogos em tupi de “Como era gostoso o meu francês”, para os atores Paulo César Saraceni e Alex Vianny.

Começo - O ciclo de Cataguases 

Desde cedo se dedicou à música, tocando o violino e o bandolim. Interessado também em mecânica ingressou no curso de engenharia em Belo Horizonte, que abandonou um ano depois para voltar a Cataguases. Como as linhas de transmissão de eletricidade chegavam à região, trabalhou na instalação de energia elétrica nas fazendas.

Foi para o Rio de Janeiro em 1916, onde trabalhou como eletricista, retornando a Cataguases em 1920. Neste mesmo ano casou com Maria Vilela de Almeida (Dona Bebê), com quem permaneceria casado pelo resto da vida.

Em 1923, passou a se interessar por fotografia. Adquiriu uma câmera Kodak de Pedro Comello (pai da atriz Eva Nill), imigrante italiano a quem convenceu a se instalar em Cataguases como fotógrafo e de quem se tornaria amigo inseparável. Ambos compartilhavam de uma paixão pelo cinema, principalmente pelos filmes americanos de aventura. Admirava D.W. Griffith e King Vidor.

Em 1925, Mauro e Comello compraram uma câmara cinematográfica de 9,5 mm, marca Pathé, com a qual Mauro filmou um curta-metragem cômico de apenas 5 minutos de duração. Mostraram esse filme a comerciantes locais, tentando convencê-los a investir numa companhia produtora de filmes em Cataguases. Com o apoio financeiro de Homero Domingues compraram uma câmara de 35 mm e centenas de metros de filme. Mas o filme que resolveram fazer ficou inacabado.

Ainda em 1925, com a participação do negociante Agenor Cortes de Barros, fundaram em Cataguases a Phebo Sul América. Em 1926 realizam Na Primavera da Vida e em seguida Thesouro Perdido, um filme nos moldes dos filmes de aventura americanos, com muitas e complicadas cenas de ação. Foi premiado como o melhor filme brasileiro de 1927. Este filme contou com a única participação nas telas da mulher de Mauro, com o nome artístico de Lola Lys. Com o sucesso de Thesouro Perdido, Mauro pôde ampliar sua produtora, rebatizada de Phebo Brasil, e desenvolver filmes de acordo com sua visão pessoal. Seu trabalho seguinte, Brasa Dormida, é uma bem sucedida mistura de aventura e romance, com excelente aproveitamento dos cenários naturais, em que não falta uma excitante (para os padrões da época) cena erótica. Lançada em 1929, foi distribuída para todo o país.

Seu longa-metragem seguinte, seu último para a Phebo, Sangue Mineiro é considerado sua obra-prima em Cataguases. Lançado em julho de 1929, percorreu todo o país com sucesso de crítica e público. Aqui ele deixa de lado a aventura e faz um filme intimista, em que os únicos conflitos são os do coração.

Mauro manteve estreitas ligações com poetas e escritores modernistas da época, especialmente com os integrantes do chamado Movimento Verde. Criado em Cataguases após a Semana de Arte Moderna de 1922, tinha como integrantes Rosário Fusco, Francisco Inácio Peixoto, Ascânio Lopes e Guilhermino César, dentre outros, que eram responsáveis pela edição da Revista Verde, um dos marcos da literatura modernista brasileira.

Com o surgimento da Cinédia, em 1929 ele vai para o Rio de Janeiro e começa a trabalhar com Adhemar Gonzaga, dirigindo as primeiras produções do estúdio, “Barro Humano” e "Lábios sem beijos", mostrando domínio na técnica do cinema falado.

O sucesso desses filmes tornou a Cinédia o estúdio mais importante da época. Em 1931 foi lançado Mulher, na qual Mauro atuou como câmera, cabendo a direção a Octavio Gabus Mendes. Seu filme seguinte, Ganga Bruta, teve dificuldades na sua realização que se prolongou de 1931 a 1933. Era um filme de estrutura narrativa revolucionária para a época, com flashbacks e cortes rápidos.

Depois de dirigir a Voz do Carnaval (1933), seu primeiro musical, troca a Cinédia pela Brasil Vita Filmes (1934), um estúdio fundado pela atriz Carmen Santos, estrela de vários filmes de Mauro. Na nova casa, fez Favela dos Meus Amores (1935) e Cidade Mulher (1936).

Em 1933, Humberto Mauro fez o primeiro filme falado para os estúdios da Cinédia, de Adhemar Gonzaga: “A Voz do Carnaval”, com Carmen Miranda!

Em 1936 a carreira de Humberto sofreu mudança, ele se rendeu ao documentário. A pedido do então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, o professor Edgar Roquete Pinto criou o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE) e convidou Humberto Mauro, que filmou mais de 300 documentários de curta, entre 1936 e 1964: Dia da Pátria, Lição de Taxidermia, Vacina contra Raiva, A Velha a Fiar e Higiene Doméstica, e, a série As Brasilianas, na qual registrou exibições de músicas folclóricas.

 

Cinema: Filmografia de Humberto Mauro

1.         Longas-metragens

1925 - Valadião, o Cratera

1926 - Na Primavera da Vida

1927 - Thesouro Perdido

1928 - Brasa Dormida

1930 - Lábios sem Beijos

1930 - Sangue Mineiro

1933 - A Voz do Carnaval

1933 - Ganga Bruta

1935 - Favela dos Meus Amores

1936 - Cidade-Mulher

1937 - O Descobrimento do Brasil

1940 - Argila

1952 - O Canto da Saudade

2.         Curtas-metragens (feitos para o INCE)

1945 - Brasilianas: chuá-chuá e casinha pequenina

1948 - Brasilianas: azulão e pinhal

1954 - Brasilianas: aboio e cantigas

1955 - Brasilianas: engenhos e usinas

1955 - Brasilianas: cantos de trabalho

1955 - Brasilianas: manhã na roça: o carro de bois

1956 - Brasilianas: meus oito anos

1956 - O João de Barro

1958 - São João Del Rei

1964 - A Velha a Fiar

1974 - Carro de bois

 

Índice

1             Começo - O ciclo de Cataguases

2             Cinédia

3             INCE

4             Filmografia

4.1          Longas-metragens

4.2          Curtas-metragens

5             Literatura

6             Referências

7             Ligações externas

 

INCE

A convite de Edgar Roquette-Pinto, Mauro se junta ao Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), onde de 1936 a 1964 realizou mais de 300 documentários de curta-metragem [1] sobre temas tão variados como astronomia, agricultura e música.

Enquanto trabalhou no INCE , Mauro dirigiu apenas três longas metragens: O Descobrimento do Brasil (1937), com música de Villa-Lobos, Argila (1940) e Canto da Saudade (1952), onde também trabalha como ator, num papel secundário.

Afastado do cinema desde 1974[2], quando fez o curta-metragem "Carro de Bois", passou a viver em seu sítio Rancho Alegre, em Volta Grande, onde morreu, aos 86 anos, quase que completamente cego, após uma forte pneumonia. Há de se lembrar de que o grande Amácio Mazzarope, oriundo dos circos e programas radiofônicos, era tão fã de Humberto Mauro que, o primeiro programa que ele fez na TV Tupi de São Paulo (primeira estação de TV do Brasil, foi o programa “Lá no Rancho Alegre”,  em homenagem a Humberto Mauro.

Apesar de não ter feito carreira internacional, devido às limitações da época, foi homenageado no Festival de Cannes como um dos cineastas mais importantes do século XX.

Eis o que Ana Paula Galdini pesquisou e disse: Década de 30, cinematografia mais constante. Humberto Mauro destaca-se.

Em 1933, o primeiro filme falado para os estúdios da Cinédia, de Adhemar Gonzaga: A Voz do Carnaval com Carmen Miranda. É considerado um semidocumentário, utiliza cenas reais, gravadas ao vivo e que são mescladas com cenas de estúdio.

Documentou favela em outro semidocumentário, Favela dos Meus Amores. Imagens de um morro carioca, com a participação de uma escola de samba, a Portela.

Em 1936 a carreira de Humberto sofreu mudança, ele se rendeu ao documentário. A pedido do então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, o professor Edgar Roquete Pinto criou o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE) e convidou Humberto Mauro. Filmou mais de 300 documentários de curta, entre 1936 e 1964: Dia da Pátria, Lição de Taxidermia, Vacina contra Raiva, A Velha a Fiar e Higiene Doméstica, e, a série As Brasilianas, na qual registrou exibições de músicas folclóricas.

 

Bibliografia
.Literatura a respeito do autor do dicionário Tupi x Português (Humberto Mauro).

.Paulo Emílio Sales Gomes: Humberto Mauro - Cataguases - cinearte. Editora Perspectiva, São Paulo, 1974.

.André Di Mauro : Humberto Mauro - O Pai do Cinema Brasileiro , Editora Ideias Ideais, Rio de Janeiro, 1996.

.Ronaldo Werneck: Kiryrí Rendáua Toribóca Opé - Humberto Mauro Revisto por Ronaldo Werneck, Editora Arte Pau Brasil, São Paulo, 2009.