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A ofensiva da campanha de Dilma começou

Adalberto Monteiro Publicado em 16.10.2014

A segunda semana do 2º turno teve início com uma inversão de sinais. A euforia e a fúria da onda reacionária foram contidas e a campanha de Dilma Rousseff vai para o ataque, via confronto de ideias e de projetos, desmascaramento de Aécio, engajamento do povo e movimentação de diferentes setores da frente ampla.

Mesmo com a grande investida da oposição explorando as denúncias seletivas dos dois ladrões da Petrobras (presos pelo combate ferrenho de Dilma à corrupção), as pesquisas eleitorais indicaram ou embate técnico (Datafolha e Ibope) ou Dilma à frente (Vox Populi) – prognósticos divulgados entre os dias 13 e 15 de outubro.

Tal e qual no primeiro turno, Dilma Rousseff, ela mesma, lidera a contraofensiva numa divisão de trabalho na qual ela e o ex-presidente Lula cumprem agendas estrategicamente articuladas. Dilma realiza forte agenda de rua, em contato com o povo, principalmente no Nordeste, Sudeste, com destaque para São Paulo, e também no Sul. Regiões que terão papel definidor para o confronto.

A presidenta no debate da TV Bandeirantes encurralou Aécio Neves no quadrante do fracassado passado neoliberal, firmou o compromisso de que um novo mandato será marcado por avanços e conquistas maiores para o povo. Esse desempenho empolgou a militância e aumentou a confiança do eleitorado na candidata. Já o tucano diminuiu de tamanho. Confrontado – como no caso do aeroporto construído na fazenda de parentes, e também pelos atos de nepotismo –, o tucano, diante da verdade, não prestou os esclarecimentos que a opinião pública merece e, de quebra, se revelou agressivo e arrogante.

A tentativa da grande mídia e dos banqueiros de eleger Aécio na marra, no golpe e no grito se esbarrou, também, na força e na consciência da maioria, de um povo que já demonstrou por três vezes consecutivas ter aprendido quem são seus amigos e quem são seus inimigos.

O diálogo com o povo se amplia, a campanha começa a ocupar as ruas, as redes sociais “fervem”, a militância dos movimentos sociais, de esquerda, com mais criatividade e tenacidade, mostra outra vez seu valor. Multiplicam-se os eventos nos quais o povo, os trabalhadores, a juventude, os intelectuais, os artistas, diferentes setores tomam a palavra, tomam partido pela reeleição de Dilma.

Na frente ampla, o vice-presidente Michel Temer percorre vários estados mobilizando os prefeitos e lideranças do PMDB. No sul, o governador reeleito de Santa Catarina, Raimundo Colombo, do PSD, marcha por várias cidades. No outro polo, deputados federais do PSOL lançaram um Manifesto Pró-Dilma e se engajaram, ao seu modo, na campanha. A dissidência do PSB, que reagiu à capitulação da cúpula da legenda ao candidato da direita, se movimenta pela reeleição da presidenta Dilma, como é caso de Roberto Amaral, Lídice da Mata, entre outros. E lideranças da Rede Sustentabilidade se rebelaram contra a adesão de Marina Silva ao candidato neoliberal.

Lembram-se de 2006? A grande mídia arrogante julgava-se senhora e senhor da consciência do povo. O bombardeio contra o Palácio do Planalto era intenso e ininterrupto como agora. Mas, o povo disse não ao cabresto midiático e reelegeu Lula.

Que cada brasileiro, brasileira, partidário da democracia, da melhoria crescente da vida do povo, da afirmação da soberania nacional, lance seu grito contra o retrocesso, pela reeleição de Dilma. Com mais mobilização, mais luta de ideias, mais enfrentamento, a campanha deve tirar as máscaras de Aécio Neves.

Acima de tudo, porém, a campanha de Dilma deve renovar a esperança, transmitir a mensagem de que um novo mandato nascerá compromissado em assegurar reformas e transformações que venham a encaminhar o Brasil à nova etapa de seu desenvolvimento, com conquistas ainda mais significativas para o povo.

*Presidente da Fundação Mauricio Grabois e editor da revista Princípios

Publicado originalmente no Portal Vermelho