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Entremeio ao bombardeio, Dilma eleva sua liderança

Adalberto Monteiro Publicado em 30.09.2014

Neste primeiro turno que chega à reta final teve de tudo. E mais ainda está por vir. Campanha pelo fracasso da Copa do Mundo, polarização entre a presidenta Dilma Rousseff e Aécio Neves, troca de candidato em decorrência de uma tragédia, deslocamento do tucano e subida de Marina Silva e, agora, queda da candidata da Rede-PSB e um fiapo de esperança dos tucanos.

Entremeio ao bombardeio, Dilma eleva sua liderança Neste cenário de variações e sobressaltos, há, todavia, uma constante: a presidenta Dilma Rousseff, entremeio a um ataque cerrado da oposição e da grande mídia, eleva sua liderança política. Ela conquista crescente apoio popular e, lance a lance, batalha a batalha, vai construindo a quarta vitória consecutiva do povo.

Marina, encolhida entre seus xales, se queixa, se diz vítima de ataques. Falso. Quem o tempo todo tem sido alvo de uma campanha de “desconstrução” é a candidata Dilma Rousseff. Mas, em vez de se fazer de “coitadinha” como teatraliza a candidata Marina Silva, Dilma optou pela luta de ideias. A um só tempo dá visibilidade às realizações de seu governo, aponta um futuro de transformações e reformas e empreende um debate programático incisivo com Marina e Aécio.

A farsa da “nova política” de Marina e o discurso neoliberal recauchutado de Aécio foram desnudados pela campanha de Dilma. Progressivamente, foi ganhando nitidez que não há terceira via, o confronto é entre o avanço e o retrocesso.

Quem é alvo do “vale-tudo” é Dilma como ficou evidente nas armações da revista Veja, explorando a delação premiada do ladrão da Petrobras. Ladrão, sublinhe-se, que foi preso porque no governo de Dilma a Polícia Federal e o Ministério Público, ao contrário do que ocorria na era FHC, são fortalecidos para desempenhar os que lhes determina a Constituição.

Chegamos à reta final do primeiro turno e o sistema de oposição como pêndulo oscila entre Marina e Aécio. O enredo é conhecido. Aécio antes da morte de Eduardo era o predileto dos banqueiros.

Com a subida de Marina – totalmente rendida e convertida ao rentismo, e o tucano ficando para trás nas pesquisas –, o bloco conservador e a grande mídia se fracionaram. Houve um momento em que a situação de Aécio beirou a figura de um “abandonado”. As fragilidades de Marina, o emaranhado de contradições e vulnerabilidades de seu programa, a voz corrente entre o eleitorado de que ela “não tem pulso”, não tem força para governar o Brasil, corroeram parte das convicções das alas conservadoras da classe dominante que haviam embarcado na sua campanha. Além dos mais, aqueles suntuosos números das pesquisas que sinalizavam uma Marina imbatível derreteram-se como cera ao fogo.

Aécio não sabe qual derrota tenta evitar: Se a do governo de Minas ou a da eleição presidencial. Setores da grande mídia e aliados que o haviam deixado de lado, no auge daquela miragem que fazia ver Marina triunfar já no primeiro turno, voltam a injetar glicose na veia da campanha do tucano. De volta ao jogo em busca de uma derrota honrosa ou de uma recuperação inusitada que o leve ao segundo turno, ele recrudesce o ódio ao “petismo” e atira em Marina. A banda dos banqueiros que dobram a aposta na candidata da Rede-PSB ironiza e diz que a reação de Aécio é uma mera “visita da saúde” na sua moribunda campanha. Blogueiros dos jornalões também dizem que o neto distante de Tancredo faz o papel de inocente útil: ataca Marina e ajuda Dilma.

Enquanto a oposição se engalfinha, se autodevora, Dilma Rousseff emerge com sua real estatura: a liderança capaz de conduzir o Brasil à nova etapa de desenvolvimento, com mais crescimento econômico e uma redução ainda mais eficaz das desigualdades sociais e regionais.

*Presidente da Fundação Maurício Grabois e editor da revista Princípios