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Banco de Desenvolvimento dos BRICs: Primeiro prego no caixão do dólar norte-americano!

K.Gajendra Singh Publicado em 01.03.2013

O banco não é alguma espécie de contrapeso aos bancos multilaterais de desenvolvimento, como o Banco Mundial. A dominação que EUA e a União Europeia exercem sobre as instituições de Bretton Woods é fonte de discussão, sim, entre os BRICS.

Dilma Rousseff participa de cúpula dos Brics na Índia com Rússia, Índia, China e África do Sul Foto: Roberto Stuckert Filho PR

28/2/2013, K.Gajendra Singh, Midia with Conscience, MWC
http://mwcnews.net/focus/analysis/25120-brics-bank.html

Segundo matéria publicada dia 26/2 no Global Times chinês,[1] o estabelecimento de um banco de desenvolvimento dos BRICS tem sido um dos temas centrais das discussões preparatórias à 5ª Reunião de Cúpula dos BRICS, que acontecerá em Durban, nos próximos dias 26-27 de março.

A grande expectativa é que a Reunião de Cúpula proveja a fundamentação institucional, longamente esperada, para esse Banco de Desenvolvimento que reunirá Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Simon Freemantle, do Banco South African Standard, analista sênior na Unidade de Economia Política Africana, e Jeremy Stevens, especialista em economia internacional que trabalha em Pequim, dizem, em relatório publicado em Africa Macro[2] que o Banco de Desenvolvimento dos BRICS é item de agenda que, com certeza, aparecerá fortemente na Cúpula de Durban, nas discussões temáticas reunidas sob a rubrica  “BRICS e África – parcerias para integração e industrialização”.

Segundo a rede Xinhua, espera-se que apareçam vários detalhes sobre o Banco de Desenvolvimento dos BRICS. O principal objetivo do banco visará a promover o desenvolvimento de modo que reflita as prioridades e as competências dos BRICS – como desenvolvimento da infraestrutura, preparação de projetos e estudos de viabilidade. Adiante, um grupo de trabalho será convocado para delinear os compromissos técnicos e as estruturas de organização do novo banco. A China já é a principal presença que anima o comércio na África. “O banco proposto contribui construtivamente para o desenvolvimentos de laços robustos de interdependência entre os países BRICS” – diz o relatório. Espera-se que os estados membros contribuam, metendo a mão nos próprios bolsos, para que o banco funcione.

Segundo um blog do Financial Times, embora algumas decisões chaves ainda não tenham sido tomadas – por exemplo onde o banco terá sede e o que deverá fazer exatamente – alguns elementos começam a aparecer das discussões preparatórias, principalmente sobre o possível capital do novo banco: 50 bilhões de dólares.

O banco não é alguma espécie de contrapeso aos bancos multilaterais de desenvolvimento – como, principalmente, o Banco Mundial. Mas, sim, a dominação que EUA e a União Europeia exercem sobre as instituições de Bretton Woods é fonte de discussão entre os BRICS. Apesar disso, no escopo específico, o banco que os BRICS planejam criar será instituição auxiliar de financiamento – evidentemente mais diretamente alinhada com a agenda de desenvolvimento dos BRICS. O novo banco tampouco será criado para competir com bancos nacionais de desenvolvimento nos países BRICS.

A relevância do Banco de Desenvolvimento dos BRICS dependerá de sua efetividade e especialização. Mais do que posicionar-se como denominador comum, ou construir agendas que se sobreponham às de outras instituições de financiamento do desenvolvimento que há nos BRICS e aos bancos nacionais, entre os quais o Banco de Deselvimento do Brasil (BNDES), o Banco de Desenvolvimento da China (CDB) e o Banco Export-Import da Índia, o novo Banco precisará de músculos sobre os ossos, antes de nos arriscarmos a qualquer otimismo. (...)

Enquanto China, Índia, Rússia e outros comerciam com a África e investem na África, velhas potências coloniais como a hoje socialista França o Reino Unido e, mais que todos, os EUA, destroem Estados e desejam saquear todo o ouro e outros recursos naturais que encontrem, como fizeram nos séculos 19 e 20.

Há uma semana, divulguei um artigo, “Manipulations and Mystery about Gold Reserves; an ounce in hand is better than two with US Federal Reserve” [Manipulações e mistérios sobre reservas em ouro: uma onça de ouro na mão vale mais que duas, no Federal Reserve dos EUA].[3]

O artigo “IMF Information Leaks: Central Banks Gold Manipulations” [Vazam Informações do Fmi: Bancos Centrais e a Manipulação Do Ouro], Valentin Katasonov, 7/2/2013,[4]  oferece leitura quase surrealista sobre as reservas em ouro e os suspeitos de sempre – Wall Street e a City de Londres, banqueiros e financistas londrinos. A informação disponível é leitura de dar medo, que comprova que o sistema financeiro internacional não passa de castelo de cartas, também conhecido como deslavada roubalheira, bandidagem e daí, só piora.

Em 1971, pelo menos, os EUA cumpriram o que ficou acordado em Bretton Woods e pagaram US$ 35 pela onça de ouro, o que valeu, ao dólar, o status de moeda de reserva.
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[1] http://www.globaltimes.cn/content/764202.shtml

[2] http://www.standardbank.com/Resources/Articles/EM10_Africa_3_South_Africa_11_June_2012.pdf

[3] http://natural-beauty-pavocavalry.blogspot.com.br/2013/02/manipulations-and-mystery-about-gold.html

[4] http://www.strategic-culture.org/news/2013/02/07/imf-information-leaks-central-banks-gold-manipulations.html