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A luta é o caminho!

Pedro Guerreiro Publicado em 12.05.2012

Hollande não colocou em causa nenhum dos aspectos deste tratado

 

Ainda que partindo de situações diferenciadas, as repercussões dos resultados das recentes eleições realizadas na Grécia e em França – pelo que expressam de justa rejeição das políticas da União Europeia e de não aceitação da sua inevitabilidade, pelo que representam de legítima vontade de mudança, pelo que evidenciam quanto às contradições deste processo de integração capitalista – não deixarão de marcar a evolução próxima da situação na União Europeia.

Ao contrário do que alguns exaustivamente procuram escamotear, apontando o dedo unicamente a Merkel e a Sarkozy, os resultados destas eleições traduzem, na sua essência, a rejeição das políticas contra os interesses dos trabalhadores e a soberania dos povos que são movidas pela União Europeia e pelas quais são co-responsáveis a social-democracia e a direita.

Assumindo e protagonizando os interesses do grande capital financeiro, a social-democracia e a direita conduzem a integração capitalista europeia, isto é, definem e aplicam as suas políticas, os seus tratados, o seu Mercado único, o seu Euro, a sua Estratégia de Lisboa, agora renomeada de «2020», entre uma multiplicidade de exemplos.

A social-democracia que enaltece o significado da vitória de Hollande contra Sarkozy, é a mesma que exige à Grécia o cumprimento dos «memorandos» – autênticos mecanismos de extorsão, de intensificação de exploração e de domínio económico – impostos pela União Europeia e entusiasticamente aplicados pela social-democracia, aliada à direita no governo grego.

No entanto, a agudização da crise estrutural do capitalismo e, consequentemente, da integração capitalista europeia, está a despertar divergências que foram evidenciadas nas recentes eleições em França. Divergência entre a social-democracia e a direita quanto à perspectiva de um longo período de recessão económica e às suas consequências para a salvaguarda do processo de integração capitalista europeu. Divergência entre os interesses e a agenda imediata do grande capital francês e do alemão, aparentemente, surgindo a «França» mais interessada do que a «Alemanha» na aceleração da criação de mecanismos de partilha de custos e riscos associados ao Euro (com o que estes significariam de declínio social e económico e acrescida perda de soberania nacional para países como Portugal e de reforço do directório franco-alemão).

Não será preciso esperar muito para clarificar o efectivo conteúdo da condicionalidade anunciada por Hollande para a ratificação do tratado orçamental.

Até ao momento, Hollande não colocou em causa nenhum dos inaceitáveis aspectos contidos neste tratado em processo de ratificação, apenas apontando a necessidade de «completá-lo» (aliás, à semelhança do PS, que já o ratificou em Portugal).

No entanto, ao contrário do que a social-democracia apregoa, o que se exige não é a impossível «reforma» – através da inclusão de um «protocolo adicional» – de um tratado orçamental que agride as soberanias nacionais e condena Portugal a uma tutela permanente da União Europeia. O que se impõe é a sua rejeição.

O que se exige não é a substituição de uma «austeridade excessiva» por uma dita «austeridade inteligente» que continua a intensificar a exploração, a desmantelar a Segurança Social e os serviços públicos. O que se impõe é a ruptura com o pacto de agressão.

Isto é, o que se exige não é o reforço e aprofundamento da integração capitalista europeia – e das suas inseparáveis vertentes neoliberal, militarista e federalista –, mas o confronto e a ruptura com as suas políticas, em prol de uma Europa de cooperação, de progresso e de paz.

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Fonte: Avante!