Poderá o Plano de Annan promover o cessar-fogo na Síria, ou será uma cópia-carbono da embromação unilateral que S.Exa., promoveu aqui, em Chipre, aprovando, escandalosamente, a invasão turca? A maioria dos observadores políticos internacionais concorda que a resposta é o acréscimo da disposição do governo da Rússia para exercer pressão sobre o regime de Bashar Al-Assad…

Qual será o “dia seguinte” das iminentes eleições no Egito? O único que hoje pode constar-se nada mais é do que as atrasadas consultas da Casa Branca com a Irmandade Muçulmana, com a ingênua esperança norte-americana de que o candidato oficial da Irmandade Muçulmana superará as muito extremistas candidaturas islâmicas. Predomínio do Islã político no Cairo terá consequências catalisadoras desde a Síria até a Arábia Saudita e os demais califados da Península Arábica.

Qual é a posição da Turquia no planejamento estratégico dos EUA e da União Européia (UE)? A controlada frigidez nas relações entre Washington a Ancara e o essencial “congelamento” das negociações integracionistas com a UE registram-se em um momento particularmente delicado em que – antes sequer estabilizar-se institucionalmente o regime pós-kemalista – os problemas de saúde do Primeiro-Ministro Retzep Tayyip Erdogan exigem cenários para a pós-Erdogan época em horizonte de dois anos.

Como evoluirá a queda de braço com relação ao programa nuclear do Irã? Hoje são dois os indiscutíveis fundamentos: primeiro, que até inclusive as eleições presidenciais norte-americanas de novembro próximo Obama não deseja e não aprova escalada de tensão e, muito menos abertura de novo front; e, segundo, que o Netanyahu – ao que tudo indica – troca a não materialização de suas ameaças de destruir as instalações nucleares do Irã, por ações militares e ausência de pressões para progresso no imbróglio palestino.

EUA e UE, ambos mergulhados no gerenciamento (suposto) da crise, acompanham como observadores uma evolução de total desestabilização periférica, que poderá resultar em tensões e antagonismos incontroláveis:

Primeiro, se não for encontrada solução para o programa (problema) nuclear iraniano, Turquia, Arábia Saudita e, Egito invadirão o antagonismo nuclear; segundo, o controle do Islã político sunita resultará em triangular antagonismo da Turquia, Arábia Saudira e, amanhã, também, Egito; terceiro, possível envolvimento do Irã em oposição à Turquia, Arábia Saudita e, Egito, em seu esforço para evitar a onipotência dos sunitas na Síria e no Líbano; quarto, simultaneamente, com estas evoluções, acelerar-se a desestabilização no Afeganistão e Paquistão, com únicas referências de estabilidade periférica com possibilidade de intervenção o Irã e a Índia.

Assim, aqui, no Grande Oriente Médio, as evoluções dos últimos anos não encerraram, definitiva e, incondicionalmente, os esforços para imposição de uma Pax Americana, esforços estes iniciados, dinamicamente, na época de Bush pai com a famigerada “Tempestade do Deserto” e a Conferência de Madri, em 1991, para concluírem, melancolicamente, em naufrágio durante a desastrosa gestão de Bush jr., e a invasão no Iraque, em 2003. Ambos – pai e filho Bush – finalizaram mais de dois séculos de esforços iniciados com a campanha de Napoleão Bonaparte no Egito, em 1798, intervenção e projeção das contradições do Ocidente no hoje Grande Oriente Médio.

Uma prolongada incerteza encontra-se diante de todos: 1) deverão ser conformadas as novas políticas e equilíbrios regimentais no Mundo Árabe; 2) ser definido o papel e o alcance político dos dois estados muçulmanos não árabes – Turquia e Irã; e 3) encontrar-se um modus operandi entre Israel e os novos regimes árabes. Uma evolução, a qual já hoje é visível que o Ocidente pode influenciar minimamente, embora, sua suficiência energética para o futuro próximo será decidida aqui, no Grande Oriente Médio.

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Fonte: Monitor Mercantil