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André Gorz e o "fim" do trabalho assalariado

Nivaldo Santana Publicado em 10.01.2012

Neoliberalismo e globalização associados às mudanças na organização do trabalho (passagem do fordismo para o toyotismo) e o desemprego daí decorrentes levaram alguns autores, como André Gorz, a sugerir que "o trabalho organizado socialmente será extinto".

Autor do polêmico "Adeus ao Proletariado", Gorz avalia que a realidade atual, onde "cada vez menos pessoas produzem cada vez mais riquezas", é o prenúncio do fim do trabalho assalariado e da produção fundada no valor-de-troca.

Com o suposto fim do trabalho assalariado, e consequentemente também do salário, André Gorz propõe uma renda básica mínima para todos - e a transição para um outro tipo de sociedade, não a sociedade do trabalho, mas a sociedade do conhecimento, da cultura.

Para ele, nessa nova "economia imaterial", o capital humano (riqueza de ideias, criatividade, capacidade de aprendizagem, etc.) superaria a riqueza material. Nessa sociedade utópica do autor em tela, o trabalho seria residual, todos teriam tempo para fruir o melhor da vida espiritual.

Essa concepção, que no fundo prega o fim da centralidade do trabalho e do protagonismo político do proletariado na transformação social, tem mais influência do que imagina a nossa vã filosofia. Sociedade pós-industrial, pensamento pós-moderno, novos atores sociais, quem já não ouviu falar sobre isso?

Achar uma forma de driblar o capitalismo é empresa sempre fadada ao fracasso. Tais ideias e propostas são generosas, mas sucumbem diante da realidade. O próprio Gorz, por exemplo, achava que o Euro e a Europa unida seriam uma alternativa ao império americano e à oligarquia financeira. Deu no que deu!

A luta pela reafirmação da centralidade do trabalho e do protagonsimo dos trabalhadores para superar o capitalismo e edificar a nova sociedade socialista são tarefas essenciais da luta de ideias atual. E tema de uma aula no curso de formação do PCdoB de minha responsabilidade. Aceito ajuda!

Fonte: Blog do Nivaldo Santana