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Aperta a corda em torno da Itália e Espanha

Maria Segre Publicado em 10.08.2011

O medo está de volta à Europa, o respiro pela decisão da União Européia e Zona do Euro de 21 do mês passado foi levado pelo vendaval da crise, duas grandes economias da Europa, Itália e Espanha, já estão na mira dos mercados especuladores, com a corda apertando em torno de seus pescoços, como exatamente acontecia antes com a pequena e economicamente insignificante Grécia.

Investidores e especuladores tremem os gêmeos do diabo, a queda e a dívida, que ameaçam não só a Europa, mas, também, os EUA, o Japão e outros, muitos países. E é por isso que correm sair das bolsas de valores, recrudescendo, ainda mais, o clima do pânico que tão facilmente domina os mercados. E não é casual o novo recorde do preço de ouro, sequer a alta nos preços da maioria das matérias-primas e das commodities.

Além disso, os investidores exigem cada vez maiores ganhos para emprestarem aos países que não consideram tão seguros e garantidos, com resultado de as taxas de juros da Itália e da Espanha galoparem rumo a 7%, percentual quase proibitivo para um país que poderá ser promovido sob o "guarda-chuva" do Provisório Mecanismo Europeu de Apoio (EFSF).

Obviamente, o "guarda-chuva" não é tão grande para que possa abrigar sob sua proteção os países grandes, os quais, aliás, já se comprometeram financiar Grécia, Irlanda e Portugal, todos os três fora dos mercados. A que tudo indica, o fim do alerta que trouxe a Reunião de Cúpula para a Grécia durou muito pouco e a crise de dívida na Zona do Euro está de volta muito mais aguda. E junto vem o ativismo dos contatos políticos.

No início da semana passada, imediatamente após o encerramento das operações da Bolsa de Valores aqui, em Milão, o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, discursou no plenário do Parlamento italiano em Roma, para destacar que "a grande alta do custo de endividamento do país deve-se, primeiramente, aos problemas das economias dos EUA e do Japão".

Berlusconi caracterizou esta alta "problema de confiança" e salientou que "os mercados não estão avaliando corretamente a qualidade creditícia do país, enquanto não têm reconhecido a força das decisões da Reunião de Cúpula da União Européia/Zona do Euro e, especialmente, a possibilidade atribuída ao Provisório Mecanismo Europeu de Apoio de adquirir bônus no mercado secundário".

O sistema político e bancário da Itália, assim como os fundamentos econômicos do país - de acordo com Berlusconi - são "fortes", enquanto o cavaliére acrescentou que "a recente queda na concessão de salários desemprego sinaliza a melhoria do mercado de trabalho, constituindo, paralelamente, esperança por recuperação econômica".

Também, Berlusconi sustentou que, a adequação fiscal do país está sendo feita com ritmo mais veloz do que o exigido e que, o equilíbrio do orçamento até 2014 resultará em redução de dívida.

No final da semana passada, o presidente da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia), José Manuel Barroso Durão, ocupou-se com a crise espanhola, mantendo linha telefônica permanentemente aberta com o primeiro-ministro Jose Luis Rodríguez Zapatero, enquanto, em Madri, realizavam-se sucessivas reuniões de emergência.

É possível que a dívida pública da Espanha seja pequena em relação com a média comunitária, mas a queda poderá, eventualmente, fazê-la escapar, enquanto, paralelamente, o país enfrenta o maior desemprego no Velho Continente.

Após seu encontro com o premiê espanhol, Barroso Durão distribuiu comunicado, sublinhando que "as evoluções nos mercados de bônus da Itália e da Espanha constituem fonte de forte preocupação, contudo são injustificáveis com base as adequações econômicas e fiscais dos dois países integrantes, assim como das providências que estão tomando para realizar as reformas".

O presidente da Comissão Européia destacou que "o risco sistêmico da crise de dívida foi reconhecido pela Reunião de Cúpula da União Européia/Zona do Euro" e salientou a necessidade "de adoção de tudo aquilo que foi decidido naquela ocasião, a fim de existir clara mensagem de solução da crise, análoga da gravidade da situação".

"Na Reunião de Cúpula foi tomada uma única decisão sobre a crise da Grécia, que inclui a participação de credores privados", disse Barroso. "Contudo, esta participação não deverá constituir característica permanente do gerenciamento de outras crises da Zona do Euro."

Mas, este último parece que os mercados duvidam e é por isso que aumentam os custos das apólices de seguro dos títulos italianos e espanhóis.

O premiê da Espanha manteve conversação telefônica com o presidente da União Européia, Herman Van Rompuy, ocasião em que tanto ele, quanto Rompuy acordaram que o plano de apoio da Grécia deve ser executado o mais rápido possível, assim como deve ser adotado o plano de reforma do Mecanismo Europeu de Apoio "para acalmarem os mercados", segundo comunicado oficial.

Resta verificar como reagirá a Zona do Euro contra as novas convulsões, e é óbvio que não tem margens para atrasos, análogos com aqueles no caso específico da Grécia. Agora estão com a corda no pescoço a terceira e quarta maior economia no clube do euro, não mais as pequenas da periferia.

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Fonte: Monitor Mercantil