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Espanha: o triste fim de Zapatero

Maria Segre Publicado em 13.04.2011

Final de carreira ou saída estratégica para volta triunfante?

Humilhado pessoalmente e deixando os socialistas da Espanha em estado de total dissolução, retira-se, essencialmente, da política ativa o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodriguez Zapatero, o qual foi obrigado a divulgar comunicado afirmando que não será candidato do partido para o cargo de primeiro-ministro nas eleições parlamentares que serão realizadas ao mais tardar em abril do ano que vem.

Zapatero sucumbiu às pressões dos barões da gerontocracia do Partido Socialista que querem se ver livres dele o quanto antes, porque julgam que Zapatero tornou-se peso insuportável para a influência dos socialistas. Também anunciou que demite-se da liderança do partido, para facilitar a indicação de novo líder, o qual será também candidato ao cargo de primeiro-ministro.

Segundo pesquisa divulgada mês passado pelo jornal espanhol El Pais, 67% dos espanhóis questionados responderam que têm opinião negativa sobre Zapatero e a política de sua governança, enquanto o surpreendente percentual de 85% declarou que não confia em sua pessoa.

Esta a imagem do político falsário, que uma coisa diz e outra coisa faz, deve-se à política de frugalidade que adotou, aumentando o limite de idade para concessão de aposentadoria, reduzindo salários, aposentadorias e pensões e auxílios e subsídios.

Prejudicou, particularmente, Zapatero o fato de que, enquanto durante as eleições parlamentares de 2008 havia adotado como slogan central da campanha para sua reeleição a criação de novos postos de trabalho, o resultado da política de frugalidade que seguiu foi de lançar o percentual do desemprego a nível acima de 20%, o mais alto entre todos os países integrantes da Zona do Euro, sendo que o total dos trabalhadores espanhóis desempregados superou o pesadelo de 4 milhões.

Direita com quase 50%

O resultado político desta situação é que o Partido Popular da direita espanhola arrasa, literalmente, as pesquisas. Se as eleições fossem realizadas hoje, os socialistas sofreriam uma derrota de tal dimensão que ameaçaria, totalmente, com dissolução o partido por causa da política de Zapatero.

Anotem que, em pesquisa realizada em meados da semana passada, a direita lidera com 44,4% de eleitores espanhóis, contra 28,3% do Partido Socialista. Mas os socialistas esperam que a mudança do líder reduzirá a primazia do Partido Popular porque supõem que está excluída a possibilidade de o novo líder provocar tanto ódio ou antipatia quanto Zapatero.

O impressionante - e simultaneamente revelador - de quão impopular é a política governamental dos socialistas para o povo espanhol é o fato de que a direita concentra percentuais tão elevados, embora seu líder, Mariano Rahoi, seja apontado nas pesquisas quase tão antipático quanto Zapatero.

A indicação do novo líder socialista será feita após as eleições municipais e regionais que serão realizadas em 22 de maio próximo, nas quais o partido de Zapatero - Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) - avalia-se que sofrerá fragorosa derrota eleitoral e perdas consideráveis até em seu espaço geográfico histórico, como a Andaluzia.

Com relação ao provável herdeiro de Zapatero, dois candidatos despontam por enquanto: Alfredo Perez Ruvalcava, ministro do Interior e vice-presidente do governo atual, e Carmen Chacon, ministra da Defesa.

Ambos mantêm excelente relacionamento com Zapatero. Mas Zapatero declarou que, seja quem for indicado finalmente pelo partido, não terá seu apoio, deixando sem influenciar os 300 mil membros do Partido Socialista com direito de voto para elegerem o candidato de sua preferência, sem indicações "de cima".

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Fonte: Monitor Mercantil