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Cuba: Primeira derrota do imperialismo no continente americano

Pedro Belasco Publicado em 26.04.2010

Quarenta e nove anos já se passaram desde a grande derrota que sofreu o imperialismo norte-americano com a fracassada tentativa de desembarque na Baia dos Porcos, em Cuba, em abril de 1961. Na ocasião, a ainda jovem Revolução Cubana desferiu um duro golpe contra o raivoso ataque do imperialismo norte-americano que não poderia aceitar a realidade de ter sido criado, em seu quintal, o primeiro Estado socialista do hemisfério ocidental.

A exemplo de então, assim também hoje continua o indisfarçável ataque contra a socialista República de Cuba pelos EUA e até pela União Européia, enquanto permanece em vigor o ilegal e desumano bloqueio econômico, comercial e financeiro dos EUA contra o país.

Hoje Cuba enfrenta incessantes tentativas de desestabilização do governo cubano, com os EUA financiando e orientando ações com objetivo a derrubada do regime socialista. Há apenas alguns dias soube-se que a secretaria de Estado dos EUA e o Serviço para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) norte-americano dispõem de US$ 20 milhões destinados à promoção e ao recrudescimento de ações contra-revolucionárias em Cuba.

Nos últimos tempos está crescendo uma forte campanha de desinformação, tendo como pretexto a morte por greve de fome de um preso condenado por crimes previstos no Código Penal cubano (encarcerado em 1995 por ter causado graves lesões a um funcionário de um Centro de Saúde e, em 2002, quando agrediu com um bastão um idoso que tentou evitar uma nova agressão).

As potências imperialistas o batizaram de “preso político” e desfecharam uma ampla campanha de difamação e agravando o ataque adotando a classificação “genérica” de “violação dos direitos humanos”.

E na segunda-feira, 19 de abril, aniversário da fragorosa derrota dos mercenários norte-americanos e dos cubanos-contras do “Miami Vice” na Baía dos Porcos, foi realizada em Dallas (EUA) um encontro de “ativistas da liberdade”, dos direitos humanos e dos usuários da Internet, com objetivo de coordenar a guerra de comunicação que têm declarado contra a República de Cuba.

Este encontro foi financiado pelo Instituto George Bush Jr (é o próprio) e pela Casa da Liberdade (Freedom House), uma organização norte-americana que usa o título “genérico” de “defensora da democracia”.

A derrota ianque

Já desde 1960 havia sido composto e instalado em Miami um “centro de operações contra cuba”, ainda, durante a gestão de Dwight Eisenhower, o qual determinou ao então diretor-geral da Agência Central de interligência (CIA), Alan Dulles, a criação de um força-tarefa militar composta de mercenários norte-americanos e cubanos-contras que haviam fugido de Cuba após a derrubada do ditador Fulgêncio Batista.

Em 15 de abril de 1961, aviões bombardeiros norte-americanos B-26 com símbolos de identificação da Força Aérea Cubana, partindo de Guatemala, bombardearam vários aeroportos em Cuba, destruindo 27% dos aviões militares cubanos. E pouco antes foi realizada uma série de ataques aéreos contra centros comerciais em Havana, com dezenas de cubanos civis entre funcionários e clientes, mortos e feridos.

E na grande passeata-comício, realizada em 16 de abril de 1961, por ocasião dos enterro das vítimas dos ataques aéreos e atentados terrestres, o então presidente da República de Cuba, Fidel Castro, proclamou – pela primeira vez – o caráter socialista da Revolução Cubana.

No dia seguinte, 17 de abril de 1961, na península Zapata e, especificamente, na praia Jiron da Baía dos Porcos, um corpo expedicionário de 1.500 homens, treinados, armados e contratados pela CIA na Guatemala – cujo presidente na ocasião, Miguel Indigoras Fuentes, havia-lhes cedido uma fazenda de café como campo-sede – desembarcaram na praia Jiron com objetivo de derrubar o regime socialista da República de Cuba.

Esta invasão foi enfrentada pelo exército popular cubano e, apesar de ter sido uma operação de surpresa, foi vencida em 72 horas, em 20 de abril, com o massacre dos invasores. Quatro pilotos norte-americanos dos aviões que apoiavam o desembarque e 200 mercenários e cubanos-contras foram mortos e mais 1.200 feitos prisioneiros, enquanto a Força Aérea Cubana afundou todas as embarcações de transporte que tentaram levar reforços dos EUA.

A vitória da República de Cuba contra os invasores se constituiu na primeira vitória dos povos do mundo contra o imperialismo norte-americano, derrubando o mito de sua invencibilidade.

“Pátria ou morte”

Esta derrota fechou o caminho dos EUA para uma intervenção aberta contra a Ilha da Revolução. Contudo, apesar da humilhação na Baía dos Porcos, os EUA continuaram com suas tentativas para quebrar moralmente a ilha rebelde. Em fevereiro de 1962, o então presidente John Kennedy decretou o bloqueio econômico total da República de Cuba pelos EUA, bloqueio este que, atualmente, não só continua, como, também recrudesceu.

Hoje o povo cubano orgulha-se desta vitória que se tornou fonte de inspiração para a continuação da difícil luta que trava até inclusive hoje, enquanto, paralelamente, continua sendo brilhante exemplo para os povos do mundo inteiro. Os cubanos continuam defendendo sua revolução. E características são as palavras de Fidel Castro, pronunciadas após a vitória na própria Baía dos Porcos.

“Defendemos a Pátria e a Revolução contra os mercenários dos EUA. Nossas forças já respondem ao inimigo, certas da vitória. À frente cubanos! Com fogo e ferro respondemos aos bárbaros. Eles vêm para nos tomar a terra e as cooperativas que a revolução deu aos agricultores. Nós defendemos tudo isso. Eles vêm para nos tomar as fábricas e as minas do povo. Nós lutamos para defender tudo isso. Eles vêm para tomar as escolas de nossos filhos. Nós defendemos as escolas para todas as crianças, nas cidades e nos campos. Eles vêm para tomar a dignidade que a revolução deu aos negros. Nós lutamos para defender a dignidade de qualquer ser humano. Eles vêm para roubar os empregos dos trabalhadores. Nós defendemos uma Cuba sem fome, com trabalho para todos”.

E Fidel Castro concluiu “convocando os cubanos para permanecerem em posições de batalha e em posições de trabalho”. “Nossa revolução é invencível e qualquer inimigo que procurar atacá-la, assim como ao nosso povo heróico que a defende, sabe que será esmagado. Entramos na batalha com maior vontade e força. Viva a Cuba livre! Pátria ou morte! Venceremos!”

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Fonte: Monitor Mercantil