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João Saldanha, 100 anos

Fernando Figueiredo Mello Publicado em 04.07.2017

Espontânea e naturalmente, João criou expressões hoje incorporadas ao vocabulário do futebol.

 

“Meus amigos…”

João Alves Jobim Saldanha. João Sem-Medo. Gaúcho de Alegrete, carioca de adoção.

Gremista de nascença, botafoguense de coração.

Brasileiro. A exemplo do também genial Nelson Rodrigues – amigo que lhe deu o apelido -, entendeu como poucos essas bandas entre trópicos.

Jornalista, militante comunista, contador de causos, cronista, prosador, técnico…

Personagem múltiplo e também único.

Em dias como hoje, este efemérides faz ainda mais sentido de existir.

Dia para lembrar João Saldanha.

Com a fina pena, seca, direta, hilária, ele aproximou o futebol do povo.

“Agora que a onça vai beber água!”

“Aquele é cabeça-de-bagre!”

“Precisa de um carregador de piano”.

Espontânea e naturalmente, João criou expressões hoje incorporadas ao vocabulário do futebol.

 

 

“SE CONCENTRAÇÃO GANHASSE JOGO, O TIME DA PENITENCIÁRIA SERIA CAMPEÃO INVICTO.”
Com o microfone, tinha sagacidade e humor peculiares, e lia o jogo como poucos.

“Olha, meus amigos, o Brasil venceu porque o Zico se chama Zico. Se ele se chamasse Zicovic, ganharia a Iugoslávia”.

Este foi o comentário após Zico destruir os iugoslavos às vésperas da Copa do Mundo em 1986. Bastava.

Com talento ímpar e especial, cativava a todos pelas histórias inverossímeis. Foi testemunha ocular da História, garantia.

Como o velhinho em “Eu nasci há dez mil anos atrás”, João esteve no Dia D, na Grande Marcha com Mao, no “Maracanazo”, na Guerra da Coreia…

Ninguém duvidava.

“O centenário de João Saldanha é mais uma oportunidade para repetir que ele foi muitas pessoas para muita gente”, escreveu João Máximo, no Globo de domingo, relembrando as outras facetas dele (leal companheiro de redação, boleiro de praia, candidato a vice-prefeito do Rio, ator de cinema, autoridade em escolas de samba…).

 

“SE MACUMBA GANHASSE JOGO, O CAMPEONATO BAIANO ACABARIA EMPATADO.”
Em dias como hoje, o Brasil tem de agradecer e se orgulhar por ter um cara como João Saldanha.

Porque muito além do jornalista, militante comunista, contador de causos, cronista, prosador, técnico, ou do homem que desafiou o ditador Emílio Garrastazu Médici e o próprio regime militar, ele foi um apaixonado pelo Brasil e pelo brasileiro.

Viva João Saldanha!

Publicado no blog EFEMÉRIDES DO ÉFEMELLO