O painel ocorreu nos Encontros de Primavera das instituições de Bretton Woods, nomeadamente Banco Mundial e FMI, que termina hoje. Na opinião do Nobel, o fracasso reflectiu-se nas eleições, quando 62% da população apoiou políticas anti-austeridade. “Portugal não tem mais este programa e a situação (económica) estabilizou-se, porque Draghi [Mario], presidente do Banco Centra Europeu (BCE), puxou para baixo a taxa de juros. Mas se olharmos para os indicadores macroeconómicos como a dívida pública, eles estão pior agora do que antes”, comentou.

Stiglitz mostrou-se céptico quanto aos sinais de recuperação económica da zona euro. O Banco Central Europeu afirmou no início de Abril que Portugal já apresentava visíveis indícios de recuperação e que a economia portuguesa está a crescer ao mesmo ritmo da zona euro. “Penso que, não apenas para Portugal, mas para toda a zona do euro em geral, este é provavelmente um período de calmaria antes da chegada da tempestade. Não acredito que os problemas da zona do euro tenham sido resolvidos”, analisou.

E concluiu que os choques que ainda decorrem do programa grego são “ilustrativos” de que a ajuda financeira externa “tida como uma solução”, acabou não resolvendo. “A questão agora é se a zona do euro será capaz de mudar as suas políticas. Se não conseguir mudar, a recuperação económica de Portugal levará bastante tempo, poderia ser até uma década”, anunciou Stiglitz que actualmente é professor de economia, administração de empresas e negócios internacionais na Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

A 6 de Abril de 2011 o então ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, anunciou que Portugal precisava de ajuda externa. Cinco anos depois do pedido de resgate financeiro e quase dois anos após a sua conclusão, os números indicam que a situação financeira e económica do país melhorou em alguns indicadores, mas ainda não cumpre os parâmetros de referência de Bruxelas. Portugal continua com um défice orçamental acima do limite definido pelas regras europeias, com uma dívida pública superior a 120% e com o desemprego acima de 10%. Já a dívida pública aumentou dos 111,4% do PIB em 2011 para os 128,8% no final do ano passado. O FMI assinala que a Portugal apresenta um crescimento “modesto” e estima que a economia portuguesa vá abrandar este ano e em 2017. O PIB deve crescer 1,4% este ano e 1,3% em 2017.

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Fonte: Jornal de Negócios